Cresce interesse por segurança privada
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segunda-feira, 13 de julho de 1998
Marcos Zanatta 
A opção de contratar seguranças particulares está aumentando em Maringá, tanto por parte de moradores quanto por comerciantes. O serviço, segundo quem contrata, tem um preço acessível e garante benefícios difíceis de serem alcançados contando apenas com a proteção oferecida pela polícia.
O pioneiro na manutenção de uma equipe de segurança na cidade foi a Associação da Feira do Produtor. Realizada nas noites das quartas-feiras e nas manhãs de sábado, no estacionamento do Estádio Willie Davids, a feira atrai entre três e quatro mil consumidores por dia.
Marcos NegriniPor conta própriaFeira do produtor, um dos locais com seguranças contratados por associação que representa varejistasNo início, segundo o presidente da entidade, Wagner Malavazi, os feirantes contavam com a ajuda da polícia, que nem sempre podia estar disponível. Os produtores aprovaram a contratação de pessoal especializado e os resultados são animadores, afirma.
São três seguranças às quartas-feiras e dois aos sábados, que evitam até a presença de pedintes e flanelinhas no local da feira. Mesmo os veículos estacionados em pontos mais distantes são vigiados pelos seguranças, conforme Malavazi.
Pelos cálculos da entidade, cada um dos 110 produtores paga em média R$ 1,00 por feira para a segurança. Contando com os benefícios é um valor até baixo, diz Malavazi. Ele garante ainda que todos os seguranças são policiais militares, que possuem conhecimento para tratar com desocupados e conhecem o modo de ação de pessoas que vão ao local com intenção de furto ou assalto.
A contratação de uma equipe de segurança foi feita também pela Associação Comunitária dos jardins Universo e Angelo Planas, zona sul de Maringá. Os dois bairros possuem cerca de 900 casas e ficam isolados por propriedades rurais. Nosso projeto contra a violência está apenas começando, explica o presidente da entidade, Roberto Vagner de Castro.
Ele criou os Anjos da Guarda, uma equipe de oito vigilantes, moradores do próprio bairro, que fazem a ronda noturna. Com apoio da polícia, o grupo tem inclusive tentando conscientizar desocupados que estavam atormentando os moradores.
Castro conta que nos últimos meses pessoas de outros bairros frequentavam a escola do Jardim Universo e junto com alguns moradores locais, chegavam a ameaçar os estudantes. Com a criação da guarda foi feito um contato inicial com os desocupados, que acabaram saindo do bairro, conforme relata.
A preocupação agora são com bares e lanchonetes que funcionam até tarde, atraindo moradores de outras localidades. Os dois bairros sempre foram pacatos, mas de uns tempos para cá a violência começou a aumentar e resolvemos não esperar, informa Castro. A associação contratou Carlos Alberto Fagundes, que trabalhava com vigilância no Rio de Janeiro e tem experiência nesse tipo de serviço. Fagundes explica que a estratégia é fazer com que os moradores sejam aliados dos vigilantes.
Ele explica que os seguranças que fazem ronda noturna não têm poder de polícia. Conseguimos reduzir em cerca de 60% os casos de delinquência e a meta é acabar com os problemas relacionados à segurança nos dois bairros, promete Fagundes.
Mas a associação não quer apenas repreender. Além de estruturar o serviço de segurança, inclusive com rádios de comunicação e cavalos para vigilância nas áreas sem moradias, a idéia é integrar a comunidade.
Segundo Castro, o fundo de vale no final do bairro será transformado em uma área de lazer, onde os moradores mais jovens terão oportunidade de praticar algum tipo de esporte. O valor da segurança varia de acordo com as condições de cada morador.


