Cresce infecção de HIV entre adolescentes
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quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Silvana Leão<BR>Reportagem Local 
O desejo de experimentar tudo a sua volta e a crença de que estão imunes aos riscos têm custado caro aos adolescentes. Entre os altos preços pagos por estes jovens está o assustador índice de contaminação pelo vírus HIV. Segundo o Ministério da Saúde, entre 2006 e 2009 quase 12 mil adolescentes entre 13 e 19 anos contraíram a doença. A média de novos jovens infectados no País, a cada ano, é de 661, sem falar naqueles que ainda não sabem.
Só no Rio Grande do Sul, 294 jovens entre 10 e 19 anos desenvolveram a doença entre os anos de 2005 e 2009 (até junho). Em Santa Catarina foram 144 casos, no mesmo período, e no Paraná foram 142 novos casos. Chama a atenção o número de meninas que se infectaram: só no Paraná foram cem novos casos, contra 42 de meninos.
Entre as explicações para a entrada da nova geração em uma seara historicamente dominada por adultos está o fato de ela não ter vivenciado a fase inicial da doença, quando vítimas famosas, como o cantor e compositor Cazuza, ou o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, emocionaram o País com sua luta contra a morte.
Hoje a Aids tem tratamento oferecido pelo SUS de forma universal, o que representa mais tempo e maior qualidade de vida. De acordo com o Departamento de DST/Aids do Ministério da Saúde, os jovens se veem menos em risco do que as gerações anteriores, apesar do maior conhecimento sobre a doença, sobre as formas de evitá-la e suas consequências.
Ter informação não tem sido suficiente, por exemplo, para que casais de adolescentes se protejam. Pesquisas indicam que, depois da primeira relação sexual, o uso da camisinha cai, passando de 61% para 50% nas relações com parceiros casuais. É também nessa faixa etária que se registra o maior número de parceiros casuais. No último ano, 14,6% dos jovens tiveram mais de cinco parcerias eventuais. No mesmo período, o índice foi proporcionalmente a metade (7,2%) entre a população de 24 a 49 anos.
O problema não é exclusivo do Brasil. Estudos de vários países demonstram a crescente ocorrência de Aids entre os adolescentes, sendo que as taxas de novas infecções, atualmente, são maiores entre a população jovem. Quase metade dos novos casos ocorre na faixa dos 15 aos 24 anos. Considerando que a maioria dos doentes está na faixa dos 20 anos, conclui-se que grande parte das infecções aconteceu no período da adolescência, uma vez que a doença pode ficar por longo tempo assintomática.


