Cresce índice de violência entre menores
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terça-feira, 23 de janeiro de 2001
Maigue Gueths De Curitiba 
Desde 1992, o número de infrações cometidas por adolescentes entre 12 e 18 anos incompletos mantém-se estável em aproximadamente 2,6 mil casos registrados por ano em Curitiba. O que apresentou mudanças, no último ano, foi o perfil dos crimes. Em 2000, o Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Infrator (Ciadi) verificou um crescimento de até 30% no grau de gravidade das infrações cometidas. A maioria dos jovens está praticando crimes com uso de violência, como roubos à mão armada, com intimidação e lesão corporal às vítimas.
Segundo Francesco Serale, diretor do Serviço de Atendimento Social (SAS) e administrador do Ciadi, os furtos (com uso de violência) são responsáveis por 26% das detenções de menores contra 13% de roubos (sem uso de violência). Também é grande o número de menores presos por crimes com substâncias entorpecentes: 14% foram detidos por porte, uso ou tráfico de drogas. O restante 47% foi preso por crimes diversos, como porte de armas (4%), lesões corporais (4%). Uma prova de que os crimes são mais violentos é o crescimento no número de adolescentes que acompanham um programa do SAS que prevê 45 dias de permanência no órgão para os menores infratores de crimes mais graves. No primeiro semestre do ano passado tínhamos entre 22 a 30 crianças. Nos últimos meses são 45 adolescentes, diz.
Outro dado que chama a atenção é a quantidade de menores que usam drogas: 90% são usuários. Destes, 44,7% usam maconha, 17% solventes, 13,4% usam crack e 12,6% cola. O crack é a droga que mais ocupa espaço entre os menores nos dois últimos anos, passando de 5% para 13,4% dos usuários. Muitos não admitem que usam droga por medo, mas ela está presente na vida desses adolescentes, ressalta Serale.
Também cresceu o número de adolescentes do sexo feminino detidas em 2000. Desde 1992, a proporção mantinha-se em 90% de meninos presos contra 10% de mulheres. Em 2000, a proporção passou para 87,6% de adolescentes do sexo masculino para 12,4% de meninas. Parece pouco, mas esses números já são significativos, diz Francesco Serale. Em geral, o crime da menina adolescente é de menor gravidade do que o do sexo masculino. Muitas são por prostituição, que não é mais considerada crime, grande parte por roubo em lojas, às vezes por chantagem de namorado, explicou.
O número de menores infratores reincidentes diminuiu no último ano para 31,3% dos detidos contra 34,78% em 1999 e picos já verificados em outro anos de até 46% de prisões de infratores reincidentes. Serale acredita que, além das tradicionais causas da violência, como a desagregação social e familiar e problemas econômicos, a impunidade é outro fator que contribui para aumentar a violência. As pessoas vêem grandes crimes envolvendo deputados, juízes que ficam em prisão com muita mordomia, quando eles não ficam soltos e trocam apenas de cargos. Essa idéia de que não há punição para os crimes gera esses resultados, afirma.


