Curitiba Relatórios do Departamento de Segurança do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Curitiba (Sindimoc) mostram que, nos primeiros seis meses deste ano, o número de assaltos a ônibus na capital já corresponde a 79% do total registrado em todo o ano passado. Foram 3.576 assaltos de janeiro a junho deste ano contra 4.515 registrados nos 12 meses de 2002. Em comparação com o primeiro semestre de 2002, quando o Sindimoc registrou 2.751 assaltos, o número de casos aumentou em 33%.
Os dados sobre a violência refletem na atuação dos profissonais do setor. Na semana passada, motorista João Antunes de Oliveira, de 54 anos, reagiu a um assalto e matou Nilson do Nascimento, de 24 anos. Ontem, ele garantiu ter agido em legítima defesa. Oliveira se apresentou no 8º Distrito Policial de Curitiba e vai responder inquérito por homicídio. Além do cobrador, outros passageiros já se dispuseram a testemunhar a seu favor.
Oliveira contou que foi assaltado por volta de 7 horas, quando dirigia o ônibus da linha Palmeiras, no sentido do bairro Umbará-Pinheirinho. Segundo ele, sete pessoas entraram no ônibus. ''Quando o último entrou, já anunciou o assalto. Do lado de fora tinha mais dois, que ficaram esperando'', relatou o motorista. ''Eu falei que tinha pouco dinheiro, mas disse ao cobrador entregar o que tinha. Acho que ele achou que eu estava 'armando' com ele, pegou uma arma embaixo do casaco e desengatilhou. Ele ia me matar. Antes, peguei a minha arma e disparei'', contou.
O motorista disse que já sofreu sete assaltos, sendo quatro só este ano, todos na linha Palmeiras. O último crime, há cerca de dois meses, teria sido praticado pelo mesmo assaltante do dia 21. ''Eu nunca reagi. E não tinha a intenção de matar. Só puxei a arma porque o assaltante ia me matar'', argumentou. O motorista, que usou uma pistola calibre 22, disse que possui porte de arma, mas que normalmente não anda armado. ''Eu só levo a arma quando perco o ônibus madrugueiro e tenho que andar a pé até o trabalho''.
Segundo o sindicato, um dia antes, outro motorista foi vítima de tentativa de assalto. Por volta de 10 horas, quando fazia a linha Maria Angélica, ele foi abordado por um menor no ponto final da linha. Percebendo que o menor portava uma arma de brinquedo, o motorista prendeu o assaltante até que a polícia chegasse.
A orientação do sindicato é para que os trabalhadores não reajam em caso de assaltos. A entidade acredita, no entanto, que a situação só irá mudar quando os Vales-Transportes metálicos, que são usados como moeda corrente, forem substituídos pelo cartão eletrônico. A reportagem solicitou informações sobre policiamento preventivo à Polícia Miltar, mas não obteve retorno.

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