Curitiba - A Rede de Proteção à Criança e ao Adolescente em Situação de Risco de Curitiba tem avançado na identificação de casos de violência que afetam bebês ainda na fase de gestação. Desde 2007, quando foi instituída a notificação obrigatória desse tipo de situação, até setembro deste ano, foram 154 registros envolvendo gestantes maiores de 18 anos. O número pode parecer pequeno diante do universo de 6,6 mil casos atendidos pela rede no mesmo período, mas, nem por isso, menos preocupante.
A coordenadora da Rede de Proteção pela Secretaria Municipal de Saúde, Hedi Muraro, explica que os profissionais são capacitados para identificar precocemente o problema: gestantes em situação de risco ou que colocam em risco a saúde do bebê. Situações frequentes são as de futuras mães que se recusam a fazer o pré-natal, que rejeitam a gravidez ou, ainda, de adolescentes usuárias de drogas. ''O bebê não nascido é cidadão'', afirmou a médica ao enfatizar a importância do trabalho.
Mais de 58% do total de casos de violência identificados pela rede entre janeiro de 2007 e setembro deste ano são referentes à negligência nos cuidados com saúde e educação ou ''violência de omissão'', como denomina Hedi. Em quase 30% das 3,8 mil notificações dessa natureza, as crianças tinham idade entre 5 e 9 anos.
Para Hedi, a identificação é mais evidente nessa faixa etária porque é o período em que a criança passa a frequentar a creche e a escola. O grande desafio, observa ela, é reconhecer os maus-tratos em bebês não nascidos e abaixo de 3 anos.
Além do trabalho dos agentes de saúde, a rede conta com o apoio da comunidade, que faz denúncias por meio do Serviço de Atenção ao Vitimizado (156). ''As causas são multifatoriais. Estamos intervindo no que é possível, mas quem vai trabalhar a família?'', provoca a médica. A rede faz, ainda, um ''trabalho de inteligência'', identificando no seu banco de dados as reincidências e aciona, imediatamente, todo o sistema de proteção, explicou Hedi.
A violência física e a sexual vêm em segundo lugar em número de notificações: 1.203 e 949 casos, respectivamente, nos últimos 21 meses.

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