Cresce expectativa sobre a canonização de madre Leônia Milito
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segunda-feira, 21 de abril de 2014
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 
Londrina - O decreto de canonização do padre José de Anchieta pelo papa Francisco reacendeu as esperanças acerca da beatificação de madre Leônia Milito, religiosa que dedicou grande parte da vida a Londrina. "Um papa latino, com olhar diferente, pode ser que quebre alguns protocolos ou convenções que não são fundamentais no processo", comenta a irmã Aparecida de Lourdes Arado, coordenadora da congregação claretiana na cidade. Desde 2003, o processo foi introduzido na Congregação para a Causa dos Santos, em Roma, na chamada primeira fase romana. Portanto, madre Leônia já é considerada "serva de Deus". Depois vem a beatificação, seguida da canonização. Todas dependem de comprovações de milagres, exigências e minucioso trabalho de averiguação da vida da religiosa.
Para iniciar o processo, foram cinco anos de preparação que resultaram em documentação com 40 volumes de 300 páginas cada. "Para isso, foram designados três grupos com três membros cada: equipe de censores com formação teológica, equipe histórica e tribunal eclesiástico, com conhecimento em direito canônico. Antes, porém, foi preciso um parecer favorável do arcebispo daqui e a nomeação de uma postuladora, pessoa que ficaria responsável por acompanhar todo o processo", explica. Todo o material original está em Roma, na Itália, e as cópias guardadas a "sete chaves" em Londrina.
Quem conheceu a madre, como a irmã Aparecida, não tem dúvidas de que a religiosa merece ser beatificada. "Ao contrário de alguns religiosos brasileiros que esperam por beatificação, madre Leônia não era muito popular e isso conta muito no processo. Mas a vida dela foi repleta de virtudes heroicas e trabalho árduo para levar o nome de Deus e da evangelização. Era uma pessoa muito sensível ao sofrimento humano e cumpriu sua missão de maneira louvável. Viveu a santidade com plenitude em seu cotidiano", complementa a irmã, que conviveu com ela durante muitos anos na Instituição Coração de Maria, onde fica a congregação das missionárias de Santo Antônio Maria Claret, fundada por ela e pelo bispo Dom Geraldo Fernandes, que completou 50 anos de existência em 2013.
Histórico
Nascida na Itália, em 1913, madre Leônia ingressou na ação católica ao 16 anos, mas foi aos 23 anos que iniciou a vida religiosa. Em 1954, foi enviada ao Brasil onde começou suas atividades missionárias na cidade de Matão, no interior paulista. Por uma série de motivos e sua vontade de continuar a evangelização no País, mudou de cidade, começando, assim, uma nova congregação, juntamente com Dom Geraldo Fernandes, em Londrina, no ano de 1958. Era o início da congregação das Missionárias de Santo Antônio Maria Claret que hoje está presente em 18 países, nos cinco continentes.
Em 1980, madre Leônia morreu em um acidente automobilístico, dias antes de sair para mais uma missão fora do Brasil. Toda a história da madre pode ser vista em um acervo disposto na primeira casa na qual morou, que hoje abriga a chamada Casa da Memória.
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