A preocupação com os agrotóxicos e produtos de natureza transgênica está fazendo com que o consumo de alimentos orgânicos cresça em todo o País. Desde 1991 a produção de alimentos orgânicos no Brasil vem aumentando em torno de 10% ao ano. No Paraná, onde o consumo é relativamente maior, no intervalo de apenas um ano o crescimento da produção chega a ultrapassar os 500%. No ano passado a produção orgânica no Estado foi de 4,5 mil toneladas, contra uma expectativa de 26 mil toneladas para a safra deste ano.
Os números são da Emater, que possui um trabalho exclusivo de assistência técnica aos produtores de alimentos orgânicos. A Emater trabalha em conjunto com a Associação de Agricultura Orgânica do Paraná (Aopa). Com sede em Colombo, a entidade foi criada com objetivo de incentivar o cultivo e o consumo de produtos orgânicos. Hoje a Aopa é reponsável pela comercialização da produção de seus associados.
Na avaliação de Iniberto Hamerschimidt, engenheiro agrônomo da Emater, a procura pelo produto orgânico vem aumentando porque a população está em busca de um alimento mais saudável, livre de impurezas como agrotóxicos e adubos orgânicos. Outra questão, é que as pessoas também estão assustadas com as notícias de mortes por intoxicação de agrotóxicos, seja na aplicação do produto ou através do consumo de alimentos que possuem resíduos químicos.
Iniberto explica que o custo é o principal problema relacionado ao consumo do produto orgânico, que pode ser até 40% maior do que o alimento convencional, cultivado com agrotóxicos. Esse custo elevado estaria relacionado à escassez do produto no mercado, e também ao custo produção, cuja mão-de-obra envolve um grande número de pessoas.
O engenheiro cita como exemplo a variação de preço da alface. Recentemente a Emater fez uma pesquisa e constatou que em alguns mercados da cidade a alface comum custava R$ 0,12, enquanto que a alface orgânica estava sendo vendida a R$ 0,45. Esta diferença de preço, coloca Ineberto, acaba dificultando o acesso da maioria da população a um produto orgânico.
Um dos trabalhos da Emater, é o de tentar popularizar esses produtos, viabilizando o consumo às pessoas de todas as classes econômicas. Com o crescimento da oferta, a tendência é que dentro de quatro a cinco anos o alimento orgânico tenha preços competitivos com o produto convencional, diz Iniberto. Dentro dessa perspectiva, existe a esperança de que no futuro a situação seja inversa, com o produto orgânico tornando-se mais acessível do que aquele produzido com agrotóxicos.
Em Curitiba já existem feiras onde se comercializam somente produtos orgânicos. Organizada pela Aopa, Emater e produtores orgânicos, a Feira Verde acontece todas as terças à noite no terminal Santa Quitéria, e aos sábados pela manhã no Passeio Público. Em alguns supermercados de Curitiba gôndolas específicas e devidamente identificadas oferecem diversas variedades de produtos orgânicos.

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