Cresce comércio ilegal de passes
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quarta-feira, 23 de agosto de 2000
Marcos Zanatta De Maringá 
O bilhete de transporte coletivo em Maringá virou moeda de troca, oportunidade de ganho para desempregados e até produto de golpes. A empresa concessionária lamenta a situação, a prefeitura tenta coibir o mercado paralelo e a polícia quer acabar com a ilegalidade. Por enquanto, o comércio paralelo de passes está vencendo e briga. Pode comprar doutor, esses não são passes com problemas não, dizia, ontem à tarde, um vendedor nas proximidades do terminal urbano. Ele disputava espaço com outros cinco concorrentes, e se referia aos 12 mil bilhetes cancelados pela concessionária depois de descoberto um golpe.
O golpe foi aplicado na sexta-feita da semana passada. Um homem se identificando como funcionário de uma usina de álcool da região foi até a central de vendas de bilhetes, no centro da cidade, e com o comprovante de depósito em favor da concessionária comprou 12 mil passes. A Transporte Coletivo Cidade Canção (TCCC) descobriu que o cheque depositado era falsificado e acionou a polícia. Até ontem quatro pessoas foram indiciadas e a polícia recuperou 4 mil bilhetes. Quem for pego com bilhetes da sequência cancelada terá que responder inquérito policial, avisa o delegado José Aparecido Jacovós.
O gerente da TCCC, Roberto Jacomelli, disse que cabe ao município coibir o comércio paralelo de passes. O secretário de Transportes, Sidnei Telles, explica que a fiscalização é uma tarefa difícil. Todas as vezes que agimos junto aos ambulantes sofremos ameaças e só conseguimos alguma coisa com a polícia junto.
Para Telles o problema começa com o trabalhador que vende o vale-transporte que recebe da empresa por R$ 0,50 para o intermediário. Nas proximidades do teminal, o passe que custa R$ 1,00 pode ser comprado por até R$ 0,70.
Outro problema são os comerciantes que aceitam passe na compra de mercadorias, diz Telles. O fim do problema, aposta o secretário, é o passe eletrônico, que está em fase de implantação.


