O volume de drogas e entorpecentes apreendido pela Polícia Rodoviária Estadual (PRE) em rodovias do Oeste paranaense, em seis meses, já supera as apreensões do ano passado, no comparativo entre as médias mensais. No caso da cocaína, o volume supera no semestre toda a quantia apreendida em 1997. O volume e o número de apreensões constam de levantamento que está sendo divulgado pela 3ª Companhia da PRE, em Cascavel.
O crescente volume de apreensões indica que as rodovias da região estão se tornando rota preferencial para o tráfico no Estado, principalmente o direcionado ao Extremo-Sul do Brasil. Este ano, já foram apreendidos 1.217 quilos de maconha, 33,8 quilos de cocaína, 556 bolinhas de haxixe e 153 frascos de lança-perfume, nos postos da PRE ligados a Cascavel. Em 97, foram 2.220 quilos de maconha, 32,7 quilos de cocaína e 988 bolinhas de haxixe.
As apreensões são feitas quase sempre nos postos da PRE, em inspeção de rotina nos carros. O maior volume tem sido apreendido nos postos da PR-182, proximidades de Lindoeste (50 quilômetros ao sul de Cascavel), e na BR-467, entre Cascavel e Toledo. A rodovia federal faz a ligação entre a fronteira com Paraguai e Mato Grosso do Sul, origem principal das drogas e entorpecentes, e a estadual é via de ligação com o Extremo-Sul do País, destino da maior parte do tráfico.
Segundo o comandante da 3ª Companhia, capitão José Carlos Augusto Pinto, as apreensões resultaram de denúncia apenas em um caso, em 97, e outro no início do mês, em Lindoeste, quando foram apreendidos 47,6 quilos de maconha. Ao mesmo tempo, outros 94,7 quilos de maconha e 556 bolinhas de haxixe foram apreendidos no posto da BR-467, entre Cascavel e Toledo. Os postos da 3ª Companhia da PRE são recordistas em apreensões no Estado, segundo o capitão José Carlos.
O comandante observa que, embora não tenham recebido treinamento específico, os patrulheiros desenvolveram o ‘‘faro’’ - habilidade - para localizar drogas e entorpecentes. Quase todos os traficantes alegam que apenas são pagos para fazer o transporte, e não identificam de quem recebem as drogas e entorpecentes e a quem entregariam. Em muitos casos, os traficantes utilizam mulheres e crianças como acompanhantes, como artifício para não serem barrados nos postos policiais.
Isto foi tentado na BR-467 por Paulo César Rodrigues, 22 anos, que conduzia uma Saveiro e tinha como acompanhantes Luciane Dias, 21 anos, e sua filha de 1 ano de idade, todos de Mundo Novo (MS). Ao examinar a carroceria da camionete, os policiais desconfiaram que o fundo era falso e passaram a retirá-lo, utilizando inclusive um alicate hidráulico para cortar a lataria. O traficante e a mulher estão no Minipresídio de Cascavel. A criança está no Conselho Tutelar.
No caso da única denúncia recebida este ano pela Polícia Rodoviária, o motorista de um ônibus de linha regular suspeitou de uma bagagem e aproveitou uma parada para telefonar para o posto de Lindoeste, onde o carro foi barrado. Os patrulheiros encontraram a maconha em duas caixas no bagageiro e pelo tíquete da bagagem chegaram ao traficante, Élio da Silva Melo, 30 anos, de Amambay (MS).

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