Cresce a violência entre meninas
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sexta-feira, 02 de dezembro de 2011
Érika Gonçalves <br> Reportagem Local 
Crimes como o de Guarapuava (Centro), onde três meninas, com a ajuda de um rapaz, esfaquearam e mataram uma jovem perto da escola, faz a sociedade refletir sobre o envolvimento das garotas com a violência. Especialistas ouvidos pela FOLHA confirmaram o crescente envolvimento delas em brigas que vão muito além de provocações e terminam em chutes, tapas e pontapés. No caso de Guarapuava, a vítima, Jéssica Santos, 15 anos, foi sepultada ontem. (leia mais nesta página).
Márcio Luís Bergantini, promotor de Justiça da Vara da Infância e Juventude de Londrina, afirma ter percebido o aumento de situações envolvendo meninas. ''Quando pensamos em infrações como um todo, o número maior de problemas envolve os garotos, que sempre brigaram. Mas as meninas estão mais agressivas. Nesses últimos 60 dias tivemos dois casos, ambos com desdobramentos, pois mesmo com as orientações e sanções iniciais, houve problemas depois'', contou.
Um dos casos ocorreu dentro de um colégio e outro após a saída das aulas. As garotas envolvidas têm entre 15 e 17 anos e os motivos são passionais, geralmente ciúmes e disputa por namorados. ''Não sabemos ainda porque isto está ocorrendo, mas acredito que a sociedade como um todo está no limite, está menos tolerante. Basta ver os problemas com o trânsito, onde por qualquer coisa as pessoas já descem do carro para brigar'', destacou o promotor.
No Conselho Tutelar Norte, a presidente Fernanda Cássia Nascimento Oliveira observou que está havendo maior participação das meninas em crimes e também no uso de drogas. ''Quando se falava nesse problema, se pensava em garotos, mas cresceu o número de adolescentes apreendidas por envolvimento na criminalidade.''
O motivo do comportamento das garotas, segundo ela, seria conquistar espaço e respeito dentro dos grupos. ''Sabemos inclusive de meninas moradoras de rua que se vestem como meninos para serem respeitadas e não sofrerem abuso. Elas acabam se portando como garotos e confundem à primeira vista'', contou.
De acordo com o capitão Walter João Marques Luiz, da Patrulha Escolar, o ano letivo transcorreu de forma mais traquila do que o anterior, inclusive com menos ocorrências.
Lidar com o não
A psicóloga e pedagoga Patricia Brinholi Lebois afirma que o comportamento mais violento sempre foi mais ligado ao meninos, mas que isso está se igualando. ''São mudanças socioculturais, as mulheres estão mais inseridas. Antes a mulher ficava em casa, era mais vulnerável.''
Outra mudança importante, de acordo com Patricia, é o papel dos filhos. ''Antigamente as crianças eram uma consequência do casamento, não eram o foco principal. Com isso os pais tinham mais autoridade, eram respeitados. Com a reestruturação das famílias, muitos pais passam a fazer de tudo para os filhos, que não aprendem a lidar com a frustração.''
A consequência é que as pessoas não aprendem a lidar com o não e passam a fazer de tudo para ter o que desejam. Ela ressalta que é necessário observar também a conduta dos pais. ''A sociedade está cada vez mais estressante. É o 'preciso ter', 'não levo desaforo para casa', 'não aceito o não' e 'elimino o que causa frustração'. A sociedade está doente e o adolescente adere às causas, se apaixona pelo que acha que está certo. Os limites precisam estar bem claros e é preciso mostrar com atitudes, não apenas com as palavras.''


