Marcos NegriniMulher põe um garrafão de 5 litros no medidor: risco de danos ao aparelhoMoradores de Maringá e Sarandi estão colocando garrafas descartáveis de dois litros, cheias d’água, em cima dos medidores de energia para ‘‘reduzir o consumo’’, diminuindo a conta a pagar . Entre os moradores, ninguém sabe ao certo de onde surgiu a idéia. A crendice, no entanto, vai sendo espalhada de boca em boca.
Em bairros da periferia de Sarandi é possível encontrar garrafas em até 80% dos medidores. Os moradores que usam a ‘‘simpatia’’ há mais tempo garantem que o valor da conta caiu entre 10% a 20%.
A dona-de-casa Neide Ribeiro da Silva Lopes, que mora na vila Bosque, em Maringá, conta que colocou duas garrafas em cima do medidor depois de ser orientada por uma vizinha. ‘‘Ela conseguiu economizar 18% de energia em dois meses, e todo mundo está aderindo.’
A vendedora Alice Aparecida dos Santos, que mora no centro de Sarandi, diz que sempre notou as garrafas em cima dos medidores, mas não entendia o motivo. Quando soube que a sogra dela teria conseguido uma redução de 20% no valor da conta, resolveu aderir. ‘‘Imediatamente coloquei duas garrafas no relógio de casa’’, afirma.
Porém, Alice reconhece que, apesar de ter colocado as garrafas há dois meses, ainda não sentiu nenhuma diferença no valor da conta de energia. ‘‘Já me falaram que o resultado a gente só percebe depois do segundo mês’’, informa ela.
Outra que ainda não viu resultado foi a dona-de-casa Lucilene Zonta Oliveira. Ela colocou as garrafas em cima do medidos há dois meses. Há cerca de 15 dias, para reforçar o serviço, ela deixou um garrafão de cinco litros em cima de um dos relógios da casa. ‘‘Se é pra gente economizar vamos reduzir ao máximo a conta’’, acredita ela.
Ela conta ainda que o leiturista da Copel está avisando aos moradores que as garrafas não trazem resultado, mas que cada dia mais moradores aderem a crendice.
Para a costureira Neusa Martins Pereira, que mora na periferia de Sarandi, as garrafas com água em cima do ‘‘relógio de luz’’ já deram resultado. Ela conta que colocou as garrafas há mais de dois meses. A conta dela teve a ‘‘incrível’’ redução de R$ 26,00 para R$ 24,00 no mês passado. Neusa diz que nem se preocupou em economizar energia em casa. ‘‘Acho que estou até consumindo mais porque fico mais tempo em casa’’, diz.
O relações pública da Copel em Maringá, Dante Antonio Conselvan, diz que o uso de garrafas com água em cima dos medidores não altera em nada o consumo. ‘‘Os medidores são fabricados de forma a não receber nenhuma influência externa, principalmente da água dentro das garrafas’’, garante. O uso de garrafas sobre os medidores surgiu em Colorado (85 quilômetros de Maringá) e a mania se espalhou rapidamente por toda a região.
A Copel já tentou descobrir a origem da crendice. ‘‘Conseguimos informações de que um benzedor orientou alguns seguidores, e as garrafas viraram mania’’, diz. A preocupação da Copel, explica ele, é que os moradores estão colocando cada dia mais garrafas em cima do medidor, que pode ter o suporte avariado. ‘‘Aí o consumidor terá uma conta mais alta para pagar’’, alerta.

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