Cremado corpo do fundador da Boca Maldita
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segunda-feira, 29 de setembro de 2003
Candice Dequech<br>Equipe da Folha 
Curitiba Morreu anteontem, de falência múltipla de órgãos, o fundador e presidente da Confraria dos Cavalheiros da Boca Maldita, Anfrísio Fonseca de Siqueira, 82 anos. Segundo o filho Ygor, Siqueira estava internado no Hospital Nossa das Graças, em Curitiba, há três dias.
O corpo de Siqueira foi velado ontem no Clube Atlético Paranaense, já que, além de ter sido conselheiro do clube, era um torcedor apaixonado. O corpo foi cremado ainda ontem e as cinzas seriam ser levadas para a Lapa, cidade natal de Siqueira. ''Essa era a vontade de meu pai'', disse Ygor.
Ele tornou-se nacionalmente conhecido há quase 47 anos, quando fundou a confraria, que popularizou a Boca Maldita, um tradicional local de discussões políticas, sociais e esportivas no centro de Curitiba. Mesmo nos duros anos da ditadura militar, a Boca nunca parou de agitar o pensamento curitibano. A norma ditada por Siqueira e seguida à risca era a liberdade de expressão. Tanto que anualmente ele presidia um jantar no dia 13 de dezembro, em que personalidades políticas e da sociedade de várias tendências reuniam-se sob um mesmo teto. Nessa ocasião eram empossados os cavalheiros, atualmente em número que ultrapassa 1,5 mil.
Siqueira aposentou-se pelo Tribunal de Contas do Paraná. Ele também foi prefeito das cidades São João do Triunfo e Cornélio Procópio; delegado de Polícia e diretor do setor de arrecadação de rendas do Estado.
Siqueira deixou a mulher, Júlia Siqueira, e quatro filhos, Anfrísio Júnior, Vera Helena, Yuri e Ygor; cinco netos e dois bisnetos. (Com Agência Estado)


