A Delegacia Regional de Londrina do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci) solicitou ontem cópias do inquérito policial e também da queixa formalizada no Procon sobre as denúncias que o casal de dekasseguis Maria Ramos e Claudemir Nagao fizeram contra a imobiliária Emi Empreendimentos, de Londrina. O casal acusou a proprietária da empresa, Maria Emi de Oliveira, de aplicar golpe de mais de US$ 40 mil na compra de um sítio em Tamarana. Segundo o casal, Maria Emi teria recebido o valor, não comprou o sítio e nem devolveu o dinheiro.
Marco Antônio Bacarin, delegado do Creci em Londrina, informou que a entidade vai providenciar um ‘‘auto de constatação’’ assim que receber os documentos para verificar se as denúncias do casal têm fundamento. A partir daí, o Creci pode determinar a abertura de um processo ético contra a imobiliária e avaliar o comportamento profissional da empresa no episódio. A Emi Empreendimentos pode até perder o registro no Creci, obrigatório para atuar no mercado imobiliário, caso receba condenação máxima da entidade.
Bacarin informou que normalmente o Conselho atua mediante denúncia formal por parte das supostas vítimas - sem contar as fiscalizações periódicas, realizadas para verificar se as imobiliárias estão trabalhando conforme as determinações do órgão. No caso da Emi Empreendimentos, no entanto, como já houve abertura de inquérito na Polícia Civil e reclamação junto ao Procon, a entidade resolveu se antecipar à denúncia formal para avaliar o comportamento da empresa com relação ao negócio com os dekasseguis.
O delegado do Creci cita o artigo 5º da lei 6.530/78 que determina ao Creci fiscalizar e autuar as empresas imobiliárias, com a competência até de solicitar aos órgãos públicos cópias de documentos que envolvam a categoria. Ele diz ainda que tomou conhecimento do caso pela imprensa e por isso a medida não foi tomada anteriormente.
Marco Bacarin destacou que a entidade está à disposição da população para qualquer tipo de denúncia. Há também o serviço chamado ‘‘Creci Alerta’’, através do telefone 0800.419419 (ligação gratuita), que presta informações aos consumidores sobre imobiliárias e também sobre corretores credenciados. ‘‘Se a pessoa tomar esse cuidado de consultar o Creci pode evitar boa parte dos aborrecimentos. E é importante denunciar, mesmo que seja um mal atendimento’’, observou. ‘‘Mas infelizmente as pessoas ainda não têm se valido da instituição.’’
O delegado do Creci informou ainda que todos os casos encaminhados ao órgão são analisados e muitos acabam em processos éticos, que são julgados a cada dois meses em cidades diferentes do Estado. No último julgamento, por exemplo, que ocorreu semana passada em Curitiba, foram julgados 46 casos. Cada julgamento, ele acrescenta, é concluído em média em 90 dias. ‘‘O Creci tem batido forte contra qualquer tipo de irregularidade’’, destacou.
O caso dos dekasseguis que teriam sido vítimas da Emi Empreendimentos, segundo Bacarin, é exceção. Ele recordou que já há alguns anos diversos negócios são feitos com os trabalhadores brasileiros que moram no Japão e que os problemas não são comuns. ‘‘São negócios volumosos. Hoje não tem uma imobiliária de Londrina que não tenha feito negócio com dekassegui’’, informou.

mockup