Creches não funcionam em Cafezal do Sul
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sábado, 21 de dezembro de 2002
Vânia Moreira<br> Equipe da Folha 
Cafezal do Sul Moradoras dos distritos de Guaiporã e Jangada, em Cafezal do Sul (29 km a oeste de Umuarama), reclamam que não podem trabalhar fora por falta de creche para deixar os filhos. As duas localidades, com cerca de 500 habitantes cada uma, têm creches que não funcionam. Os prédios, construídos há quase quatro anos estão sendo usados pelos departamentos municipais de educação e saúde. Na creche de Guaiporã, ao lado da escola, funcionam o maternal e o pré-escolar. Em Jangada, o prédio abriga o posto de saúde que está em reformas.
Nos últimos meses, várias mães de Guaiporã conseguiram trabalho num abatedouro de frango de Palotina e pretendem fazer um abaixo-assinado para a prefeitura ativar a creche. A dona-de-casa Maria José Bibiano de Almeida, 52 anos, está cuidando de dois netos para a filha Aparecida trabalhar. Outra filha de Maria, Marli de Almeida, 26 anos, mora junto com mais três filhos. Ao todo são cinco crianças de 1 a 6 anos de idade. ''Eu também preciso trabalhar, mas minha mãe não aguentaria cuidar de todos sozinha'', disse Marli.
O prefeito José Mario Morim (PSDB) disse, ontem, que vai fazer um levantamento do número de mães que trabalham e precisam da creche para estudar a possibilidade de colocar as duas unidades em funcionamento. Ele disse que as duas creches vão custar cerca de R$ 12 mil mensais, recursos que a prefeitura não dispõe por enquanto.
''Sabemos que muitas mães estão indo de ônibus trabalhar em Palotina, mas a creche não resolveria o problema delas porque todas trabalham no período da noite. Elas saem para o trabalho às 16 horas, ou seja, quando a creche já estaria quase encerrando o expediente'', justificou o prefeito.
Segundo Morim, as creches foram construídas em Guaiporã e Jangada pelo prefeito anterior sem necessidade porque não havia demanda por vagas. Por isso, elas ficaram desativadas. ''Teria sido melhor construir barracões industriais ou outros projetos que gerassem emprego para os moradores'', criticou.


