Creches não conseguem pagar os funcionários
As creches comunitárias de Curitiba foram atingidas diretamente pela suspensão de recursos do governo federal. Segundo a presidente da Associação de Creches Comunitárias (ACC), Ada Pires de Oliveira, as 84 intituições da cidade estão sofrendo com a falta de recursos para o pagamento de funcionários. As dificuldades são imensas e muitas creches terão que fechar as portas, afirmou.
A creche Cantinho Feliz, no bairro Higienópolis, em Curitiba, é uma das intituições prejudicadas. A creche sobrevivia dos recursos do convênio com a prefeitura e do repasse de verbas do governo federal. Com a suspensão dos recursos do mês de dezembro e a perspectiva de diminuição de verbas para este ano, a creche não tem como pagar suas contas. A folha de pagamento é de R$ 2.500,00 e o repasse do governo federal caiu de R$ 1.300 para R$ 800,00 por mês. Fechamos o ano de 98 com um déficit de R$ 5.506,41 e não temos perspectivas de melhorar este quadro, disse Ada de Oliveira, diretora da instituição. Ou eu fecho as portas, ou não sei o que irá acontecer conosco, afirmou.
Atualmente, a creche atende 90 crianças com idades entre um e sete anos em tempo integral. Estas crianças teriam que ser transferidas para outras creches, caso a entidade fechasse. Por esta razão, algumas mães resolveram ajudar a instituição. Quarenta e três dos 70 pais de crianças na creche contribuem com R$ 40,00.
Quem não tem como dar dinheiro, pode contribuir como voluntário. É o caso de Elizabete Fernandes, de 31 anos. Há duas semanas, ela resolveu ajudar a instituição como cozinheira. Tenho duas filhas aqui e acho que devo contribuir com o funcionamento da creche, comentou Elizabete.
Este é um dos casos de falta de recursos registrado pelo Comas (Conselho Municipal de Assistência Social). Segundo o vice-presidente Nathaniel Brandão, coordenador do Lar Batista Esperança, a falta de recursos é cada vez maior. A verdade é que o governo federal já mandava pouco e agora resolveu cortar ainda mais os recursos, afirmou ele. A alternativa, de acordo com Brandão, é buscar alternativas para geração de rendas e doações de empresas e da comunidade em geral. Se não houver parcerias, os programas comunitários não terão como sobreviver, disse.(L.P.)





