Creches enfrentam surto de catapora
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quarta-feira, 06 de agosto de 2008
Micaela Orikasa<br>Reportagem Local 
Febre e pequenas bolhas na pele, que causam muita coceira. Estes são os principais sintomas da catapora, uma doença infecciosa que está se alastrando na Zona Leste de Londrina. ''Há uns dois meses, percebi que um aluno estava febril e todo empipocado. Esse foi o primeiro caso, depois disso, apareceram mais 40 crianças com catapora'', afirma Carla Andréia Senna, diretora do Centro de Educação Infantil Iracema Helena, no Jardim Santa Fé.
Segundo ela, o ciclo que surgiu em junho não pára de se espalhar pela comunidade. ''Tem criança afastada por orientação médica há mais de 20 dias. Por ser um bairro muito carente, muitos pais não têm a preocupação de saber o que está acontecendo, por pura desinformação mesmo'', comenta.
Na casa de Franciele Gomes Alves, 22 anos, os filhos Rian, 4, e Marcos Eduardo, 2, que frequentam o CEI, contraíram catapora. ''Agora que o Marcos está sarando, o Rian pegou'', diz a mãe, que acredita em uma possível epidemia. ''Todo mundo daqui tá pegando.''
A diretora de Epidemiologia e Informações em Saúde, Sônia Fernandes, explica que a catapora é comum nessa época do ano. ''Como é uma doença de transmissão respiratória, ela surge principalmente no inverno, pois as pessoas ficam mais confinadas em um mesmo ambiente, sem circulação de ar'', afirma.
Um dos casos mais graves foi o de Victor Hugo, de 3 anos. A mãe, Ana Paula Sernichiari, 22, conta que ficou preocupada com a quantidade de feridas espalhadas pelo corpo do filho. ''Agora tá sarando, mas ele estava com feridas na cabeça, ouvido, pernas, em tudo. Além disso, teve muita febre. Eu imaginei que fosse catapora porque agora todo mundo do bairro tá falando nisso'', afirma.
No Jardim Ideal, bairro vizinho, o cenário não é muito diferente. Segundo Maria Izabel de Oliveira, coordenadora do CEI Padre Domingos Rovedatti, no começo de julho, foram 15 casos. ''Mas como tivemos um período de recesso, as crianças puderam se recuperar. Hoje, apenas duas estão de atestado médico por catapora'', afirma.
De acordo com a diretora de Epidemiologia, a vacina contra a doença não está disponível para a população em geral, apenas para situações especiais. ''São as gestantes e pacientes portadores de HIV. Como não se trata de uma doença de notificação obrigatória, não temos a estimativa de quantos estão infectados na cidade'', diz.
Para evitar o agravamento da doença, ela orienta os pais a manterem sempre as unhas das crianças limpas e bem cortadas, para não causar infeccção. ''A visita a um médico também é extremamente necessária, pois para cada caso existe um medicamento e tratamento específico'', explica.
Além das orientações, algumas dicas de prevenção também são importantes. ''Higienização dos ambientes, promovendo a circulação de ar; cuidados higiênicos por parte das professoras e merendeiras e não dividir os berços e os espaços para descanso. Com esses cuidados é possível diminuir a transmissão da doença'', indica.


