Creche quer ampliar o atendimento
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sábado, 20 de setembro de 1997
Célia Baroni 
Londrina
Dorico da SilvaFalta de espaçoCrianças brincam no parquinho de creche no conjunto Guilherme Pires: demanda no bairro é bem maiorA creche Nossa Esperança, do conjunto Guilherme Pires (zona norte de Londrina), está precisando de ajuda para ampliar o atendimento à comunidade do bairro. Mantida pela Sociedade Beneficente Nossa Esperança, a creche atende hoje 79 crianças de zero a seis anos e 11 meses. E quer passar a oferecer o acompanhamento também a crianças de sete a 10 anos, no período alternativo ao da escola.
A presidente da entidade mantenedora, Sandra Mercadante Drews, explica que muitas crianças nesta faixa etária estão ficando em casa sozinhas ou na rua. Os pais trabalham e não têm onde deixar os filhos, conta Sandra Mercadante. Além de não receber o acompanhamento necessário, as crianças ficam expostas a riscos, ela acrescenta.
Para garantir o atendimento, a creche precisa construir mais uma sala de aula, com dois banheiros e despensa. A obra foi orçada em cerca de R$ 5 mil e permitiria o atendimento de 30 crianças. A proposta da creche é oferecer reforço escolar, alimentação e lazer adequados.
O maior obstáculo para levantar a obra é a falta de recursos. Segundo a presidente da entidade, a renda familiar média das famílias das crianças atendidas pela creche é de R$ 300,00. Os pais pagam uma mensalidade de R$ 15,00 pelo período integral (das 7 horas às 19 horas) e quatro alimentações diárias. Sandra Mercadante afirma que, além da demanda externa, vários pais atendidos pela creche estão preocupados porque, no ano que vem, seus filhos estarão ingressando no primeiro ano escolar e não têm onde deixar as crianças.
Pagar alguém para ficar com as crianças no período alternativo, diz Sandra Mercadante, é inviável para a maioria das famílias. Ela conta que a mãe de uma criança da creche que ingressou este ano na escola regulamentar está pagando R$ 50,00 para uma pessoa ficar meio período com o filho de oito anos. Ela diz que não pode deixar o filho sozinho e está desesperada porque, também, não tem como continuar pagando este valor.
A entidade sobrevive com o apoio da Prefeitura, que repassa os salários dos 9 funcionários e das verbas da Legião Brasileira de Assistência (LBA) destinadas à alimentação. Os pais pagam uma mensalidade de R$ 15,00 pelo período integral e quatro alimentações diárias. As mensalidades da escola e as promoções que realizamos são suficientes apenas para a manutenção e pequenas melhorias físicas, diz Sandra Mercadante. Não arrecadamos o suficiente para uma ampliação desse tipo, lamenta a diretora. Entre as melhorias feitas recentemente estão o parquinho e um pátio coberto para que as crianças brinquem em dias de chuva.
O dinheiro que vai ser arrecadado em uma promoção marcada para a próxima semana, por exemplo, já tem destino certo: a compra de ventiladores para as salas de aula e refeitório das crianças. Mesmo com a ampliação, comenta a diretora, a creche estaria atendendo apenas parte da demanda existente. Só o berçário - que hoje atende 20 crianças - precisaria ter a sua capacidade duplicada para atender aos pedidos da comunidade. A entidade está aceitando todo tipo de ajuda: doações de material e dinheiro.
Serviço - A creche Nossa Esperança fica na rua Antônio Eleutério Naves, 156, conjunto Guilherme Pires. O fone é 337.5888.


