Creche pronta há mais de 1 ano está vazia por falta de recursos
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quinta-feira, 25 de maio de 2000
Chiara Papali De Londrina Especial para a Folha 
A creche do Hospital Universitário (HU), construída para atender 150 crianças de 0 a 6 anos, filhos de funcionários do hospital, está pronta desde março do ano passado, mas até hoje não começou o atendimento. Segundo a presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Saúde (Sindsaúde), Ana Maria da Cruz, a reinvidicação é antiga. Há mais de 10 anos lutamos para as mães terem uma creche no HU, disse.
A presidente do Sindsaúde explica ainda que a creche não foi inaugurada porque o governo do Estado não libera a contratação de funcionários para trabalhar no local. Já foram feitas várias reuniões com o sindicato, a diretoria do HU e representantes do governo e a alegação é que não há dinheiro para manter a creche, afirmou. Além da contratação de pessoal, a creche precisa ser equipada. Há um mês, o sindicato iniciou uma campanha em parceria com a Associação de Pais e Amigos da Creche do HU (APAC-HU) para solicitar a abertura da creche, com o slogan Para o dia nascer feliz Creche já!.
A diretoria do Sindicato também denuncia que há dois meses o prédio da creche foi arrombado e indigentes ocuparam o local. Depois do arrombamento, a diretoria do hospital colocou segurança 24 horas no prédio e gasta R$ 2 mil por mês com isso, disse.
A APAC e o Sindsaúde estão fazendo um levantamento de quantas mães necessitam da creche. É fundamental que a creche comece a funcionar o quanto antes, disse Ana Maria da Cruz. De acordo com um estudo feito pela APAC, seriam necessários 51 funcionários, entre pedagogos, nutricionistas, assistentes sociais, auxiliares de enfermagem e do setor administrativo, com um custo mensal de cerca de R$ 20 mil, para o funcionamento imediato da creche.
O terreno para a construção da creche, que fica a 500 metros do hospital, foi doado em maio de 95 pela Companhia de Habitação (Cohab) de Londrina. O valor gasto na construção, com recursos do Hospital Universitário, segundo o Sindsaúde, foi de R$ 596.261,27. Daqui a pouco o prédio vai ter que ser reformado antes da inauguração, disse a sindicalista.
A falta de um local onde deixar os filhos prejudica muitas funcionárias do hospital. A própria presidente da APAC, a auxiliar de enfermagem Maria Aparecida Ramalho, que trabalha das 7 às 16 horas no HU, é uma delas. Tenho que gastar cerca de R$ 120 por mês para deixar meu filho com uma babá, disse. Com a creche no hospital e a proposta da APAC de contribuição dos funcionários com 3% do salário, Maria Aparecida gastaria R$ 13,00 por mês.
O superintendente do HU, Cláudio Camacho, informou que a direção do hospital está empenhada em resolver o quanto antes a situação. Ele explicou que o HU está negociando com o governo do Estado uma verba para contratação de funcionários. Mas não há previsão para o início de funcionamento da creche.


