Há quatro anos, o desejo de se tornar enfermeira era uma fantasia. Hoje, Aparecida de Carvalho da Silva, 22 anos, pode pensar diferente. Graças a um projeto inédito desenvolvido no Colégio Estadual Rodolfo Zaninelli, em Curitiba, ela terá condições de concluir o segundo grau e prestar vestibular para enfermagem. Por causa da primeira gravidez aos 18 anos, Aparecida abandonou os estudos por não ter onde deixar a filha Jéssica.
Desde março, Jéssica passou a acompanhar Aparecida ao colégio, junto com o irmão Yago Gabriel, de 10 meses. A direção resolveu criar um berçário numa das salas da escola para combater o êxodo escolar entre as estudantes que se tornavam mães precoces e eram obrigadas a abandonar a sala de aula para cuidar dos bebês. No cenário atual, enquanto elas se debruçam nos livros, os filhos permanecem no berçário.
Cada uma das 16 mães que estudam no colégio paga R$ 10,00 por mês para custear o salário de uma babá. O berçário onde ficam as crianças não perde, em nada, para qualquer creche mantida pela Prefeitura da cidade. Televisão, berços, comida, armário e uma cômoda para trocar as fraldas das crianças compõem o ambiente. ‘‘É bom saber que ela está segura perto de mim’’, diz Scheila Cristina Gomes, 18 anos, mãe de Alan, nascido há 11 meses. Scheila nem precisou largar os estudos e serviu de incentivadora do projeto para que as colegas não saíssem da escola.
O Colégio Estadual Rodolfo Zaninelli está localizado na Vila Verde, uma região carente da Cidade Industrial de Curitiba (CIC). Em 96, 40 estudantes trancaram a matrícula para criar os filhos que chegavam. ‘‘Tínhamos muita evasão escolar porque as adolescentes ficavam grávidas e desistiam de estudar para cuidar dos filhos’’, relembra o diretor da escola, Rogério Rubens Marchalek, que conseguiu os materiais para compor o berçário através de doações da comunidade e de amigos. ‘‘Só assim elas poderão garantir um futuro melhor para as crianças’’, acredita.
A criação da creche trouxe duplo alívio para Selma Regina dos Santos, 20 anos. Ela regressou aos estudos após um período de quatro anos sem nenhum contato com a escola. Agora, deixa o filho Vinícius, de 3 anos, e o irmão André, de 4 meses, no berçário. ‘‘Foi uma benção. Acho que as autoridades poderiam olhar pelas moças de outros bairros e que não podem estudar por causa dos filhos. Se isso for feito em outras escolas, as mães poderão voltar a estudar, assim como nós’’, sugere Selma.O berçário criado pelo Colégio Estadual Rodolfo Zaninelli está dando ótimos resultados, mantendo mães precoces na escola
Kraw PenasApoioScheila Gomes, com Alan, foi uma das incentivadoras da crechePara continuar estudos,
cada uma das 16 mães
paga R$ 10,00 por mês
para o salário da babá

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