'Creche' garante cuidados para idosos
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quarta-feira, 15 de julho de 2009
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
Maringá - Nascida em Portugal, a pensionista Maria do Rosário Matos, 79 anos, mora sozinha. É verdade que na casa da frente vivem a irmã e o cunhado. O dia a dia corrido dos parentes, no entanto, impede que a idosa tenha companhia constante. Há alguns meses, porém, a rotina dela mudou. E para melhor. Agora, os dias são inteiramente ocupados por atividades de lazer e a convivência com outros idosos. E o mais importante para ela: no fim da tarde está de volta para o seu cantinho.
Essa rotina é possível graças ao trabalho do Centro Dia, projeto da administração municipal de Maringá implantado há sete anos, que funciona como uma creche. A diferença é o público-alvo, uma vez que a clientela é formada por maiores de 60 anos. No mais, o funcionamento é semelhante ao de uma instituição especializada no cuidado de crianças.
Pela manhã, uma perua percorre ruas dos mais diferentes bairros para trazer os assistidos pelo Centro Dia até a sede no Jardim Monte Belo. O dia começa com um café da manhã e é preenchido por uma série de atividades.
Alguns, no entanto, preferem apenas passar o dia conversando com os colegas. Ou fofocando, como dizem algumas das participantes. E a harmonia parece reinar no ambiente. Fruto de uma convivência diária e amistosa. ''Somos todos uma família feliz aqui'', salienta Maria do Rosário.
Terapia
Quem também sente-se feliz com os cuidados com a irmã é a aposentada Olinda Matos Lopes Jorge, 71. Vizinha de frente, ela afirma ficar mais tranquila por saber dos cuidados oferecidos no Centro Dia. E que no fim da tarde a Kombi do projeto baterá na porta de casa, trazendo Maria do Rosário com segurança. ''É uma terapia para essas pessoas. Imagine se ela tivesse de ficar o dia todo sozinha em casa'', comenta.
E companhia não falta para Maria do Rosário. Hoje, 24 idosos passam o dia no local e nas próximas semanas mais seis vagas serão preenchidas. As mulheres dominam: são 20 participantes, uma mais animada que a outra. Entre os quatro homens está o integrante mais velho do grupo. O baiano Antonio Pinto da Silva está com 95 anos, mas não aparenta a idade. A não ser pela dificuldade para caminhar e para ouvir.
Por isso, prefere ficar ''quieto no canto'' a não entender a conversa. Mesmo assim, diz que dentro do grupo ''tem muita amizade.'' ''Em casa todo mundo sai para trabalhar e eu ficava sozinho. Melhor do que a gente tem aqui nem a família pode dar'', opina o lavrador aposentado, que também procura ajudar no serviço no Centro Dia.
A exemplo das escolas, os familiares dos frequentadores também têm responsabilidades. Os filhos participam de atividades de integração e reuniões. Na rotina do centro, há espaço para orações, aulas de artesanato, exibição de filmes. A diversidade faz com que o tédio passe longe do grupo. ''Alguns dizem que se o Centro Dia abrisse aos sábados e domingos eles gostariam de estar aqui nesses dias também'', afirma a psicóloga Gilza Mara de Paula Tambani.
A prova do sucesso do modelo é que existe lista de espera. De acordo com estimativa da coordenação, mais de 30 mil idosos vivem hoje em Maringá e se ''300 vagas fossem abertas seriam preenchidas.'' ''Eles ficam muito sozinhos em casa e a solidão pode agregar doenças psicológicas. Por isso, nosso foco é ter um espaço de convivência'', explica a coordenadora Deuza Prates Carvalho.


