Edmara, 4 anos, João Vitor, 5, e outras 68 crianças que frequentam a Creche Haydee Colli Monteiro, no Jardim do Sol (Zona Oeste de Londrina), terão de abandonar a instituição no ano que vem. Sem dinheiro para manter as classes de Pré I e II, a diretoria da instituição filantrópica resolveu cancelar a matrícula de alunos com idades entre 4 e 5 anos.
A agente comunitária Bruna Evaristo Pereira dos Santos é mãe de João Vitor e da pequena Yasmim, de um ano e cinco meses. Os dois frequentaram a creche durante o ano todo mas, em 2007, apenas Yasmim permanecerá na instituição. ''Consegui uma vaga para o meu filho numa escola municipal perto de casa, mas e as outras mães?'', questionou.
Segundo Bruna, a maioria das mães mora e trabalha no Jardim do Sol e não tem condições financeiras de arcar com o transporte para levar os filhos a creches em outros bairros. A maior parte das famílias também não pode pagar uma pessoa para ficar com as crianças em casa.
É o caso da agente comunitária Marina Guimarães, que tem duas filhas estudando na creche. A mais velha, Edmara, tem quatro anos e ainda não sabe onde irá estudar no ano que vem. A menor, Flávia, tem apenas dois anos e deve permanecer na creche até 2008. ''A princípio minha filha iria para a Supercreche (Centro), mas estou correndo atrás de uma creche mais próxima de casa'', disse Marina.
Ela contou que conseguiu vaga para as filhas numa creche do Jardim Leonor (Zona Oeste), mas que ''a estrutura não é tão boa quanto a da creche atual''. ''A creche Haydee é muito boa, as crianças têm horário para tudo e aprendem bastante'', completou Bruna dos Santos.
Segundo ela, para acomodar os alunos do Pré, as escolas municipais criaram um horário alternativo de aula, das 11 às 15 horas. ''Este horário é muito ruim para as mães. Eu mesma não sei como farei para levar meu filho para a escola porque 11 horas é muito cedo para meu horário de almoço e às 15 horas eu ainda não saí do trabalho'', declarou.
A diretora da Creche Haydee Colli Monteiro, Marli Nogueira, explicou que a decisão de cancelar as aulas de Pré I e II é algo que tem sido pensado pela diretoria da creche há uns dois anos. ''Uma nova lei trabalhista prevê que para cuidar de crianças é preciso ter diploma de pedagogia, ser professor formado. E a carga horária dos professores é de seis horas diárias. Para manter as classes, eu teria de contratar o dobro de funcionários e não tenho recursos para isso.''
Segundo Marli, a creche, que já funciona há 34 anos, se mantém com a ajuda da Associação de Senhoras dos Rotarianos, além de promoções mensais. A Prefeitura ainda repassa uma quantia para o auxílio das 132 crianças atendidas pela instituição. São repassados R$ 85 por bebês e R$ 65 por crianças maiores de quatro anos. ''Se fizermos a conta na ponta do lápis, seria necessário R$ 180 para manter somente uma criança na creche'', calculou a diretora.
Ela informou que o principal problema é arcar com a folha de pagamento, hoje com 20 funcionários, entre eles, 10 professoras. ''Além das 70 crianças iremos dispensar também seis professoras.'' ''É uma tristeza. É com muito pesar que tomo esta decisão porque sei que esta creche faz parte da vida de muita gente deste bairro'', lamentou Marli. Segundo ela, a partir do ano que vem a creche atenderá apenas crianças entre cinco meses e três anos e ainda há 12 vagas disponíveis no berçário.

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