Crea pede investigação de estrangeiros
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segunda-feira, 31 de julho de 2000
Paulo Pegoraro De Cascavel 
A atuação irregular de engenheiros estrangeiros preocupa o Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura do Paraná (Crea/PR), e motiva pedido de investigação ao Ministério Público (MP) do Trabalho. A questão foi relatada ontem em Cascavel pelo presidente do Crea/PR, Luiz Antonio Rossafa, que participou da abertura do XVII Congresso Nacional de Estudantes de Engenharia Agrícola (Coneeagri), que prossegue até sábado.
Não há números sobre os estrangeiros. No Paraná, seriam mais de 600. Eles preferem os Estados mais industrializados e onde há empresas estrangeiras. Segundo Luiz Antonio Rossafa, as empresas trazem os engenheiros, principalmente da Europa, e eles não convalidam os estudos, como exige nossa legislação, nem providenciam o registro profissional no País.
A convalidação serve para averiguação curricular do curso feito pelo profissional, porque, em cada País, o currículo é diferenciado. Nós somos muito liberais, porque, lá fora, nos exigem exames específicos para que possamos trabalhar, comenta Luiz Antonio Rossafa. Sem o registro profissional, as entidades classistas do setor não conseguem ter qualquer controle sobre o trabalho dos estrangeiros.
O sindicato dos engenheiros, com apoio do Crea/PR, pediu averiguação nas oito principais empresas estrangeiras instaladas no Estado. Sabe-se que há indústrias automotivas com mais de 80% de estrangeiros no quadro de engenheiros. Segundo ele, o Crea/PR não é contra a entrada de pessoas capazes, mas questiona a concorrência desleal representada pelas facilidades a elas oferecidas.
No Paraná há 32 mil profissionais legalizados no Crea, nas áreas de engenharia civil, agronômica e arquitetura. Como grande parte é de autônomos, não há índices objetivos sobre o nível de emprego. No ano passado, apenas em Curitiba foram homologadas 500 rescisões pelo Sindicato dos Engenheiros.
O Coneeagri é organizado pela União Brasileira dos Estudantes de Engenharia Agrícola, com apoio da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Fundação para o Desenvolvimento Tecnológico e prefeitura. Este ano o tema é Engenharia Agrícola, Profissão do Século XX, e objetiva a troca de experiências entre acadêmicos. Eles também discutem questões ambientais e participam de cursos intensivos e de palestras com especialistas de várias regiões. Hoje, haverá visita técnica à Hidrelétrica de Itaipu, em Foz do Iguaçu.


