A Dona Maria é quem mais sofre aqui. A opinião é unânime entre os moradores do Conjunto Parigot de Souza II (Zona Norte de Londrina). Em especial, entre os que moram na Rua Valdir Azevedo, antes considerada uma das vias mais importantes da região. Hoje, no entanto, poucos ousariam chamá-la de rua.
A sucessão de buracos deixou parte da via intransitável. A revolta dos moradores é tamanha que uma bananeira foi colocada num dos buracos para evitar novas quedas de veículos. Novas porque na noite de anteontem um carro caiu e o motorista colocou uma bananeira no lugar para sinalizar o risco e evitar outros incidentes.
À medida que a via distancia-se da Avenida Saul Elkind, a qualidade do asfalto diminui. Crateras tomam conta da rua e o trecho em frente à casa da pensionista Angelita Zacarias da Silva, 68 anos, conhecida como Dona Maria, está intransitável. As enxurradas arrastam tudo e também invadem as casas nos dias de chuva um pouco mais forte.
''Não aguento mais isso aqui. Não tenho sossego. A maior sofredora daqui sou eu. Olha o mato na frente da minha casa, pelo amor de Deus. É uma pouca vergonha. E eu falo mesmo. Quando chove vem tudo parar dentro da minha casa, até pedaço de asfalto'', dispara Dona Maria.
O problema, segundo os moradores, começou depois que o bairro cresceu e mais casas foram construídas do outro lado da Saul Elkind. A tubulação passou a ser insuficiente para dar conta de tanta água. Culpa da redução da área permeável na região.
Para não ter de viver com um verdadeiro ''campo minado'' na porta de casa, os moradores estão mobilizados para cobrar soluções do poder público. E as queixas são contra diversos setores, como a Secretaria de Obras, a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) e a Companhia Paranaense de Energia (Copel).
A presidente da Associação de Moradores do Conjunto Parigot de Souza II Andrea Lúcia Capello conta que tem hoje uma reunião com o secretário de Obras Aloysio Crescentini de Freitas para tentar uma solução para a Waldyr Azevedo. Segundo ela, a administração prometeu resolver a questão nos próximos dias. ''A licitação foi feita mas parece que não apareceu nenhuma empresa interessada. Parece que existe o risco de rachaduras e de condenar algumas casas'', comenta.
Freitas explicou que as duas empresas que participaram da licitação negaram-se a assumir o serviço. Portanto, a solução definitiva deve demorar, uma vez que a administração municipal deve abrir nova concorrência. Um conserto provisório deve ser feito até o final do mês, de acordo com o secretário. ''Vamos fazer a terraplenagem do local e colocação de moledo para amenizar a situação do local'', informou.
A falta de roçagem nos terrenos, que seriam públicos, chegou ao ponto de tornar inviável o uso da quadra de areia do bairro. No lugar onde deveriam estar crianças praticando esportes, existe apenas mato alto e um cavalo pastando. Nas proximidades um poste de energia elétrica parece estar prestes a cair.
A assessoria de imprensa da Copel informou, porém, que o risco de queda do poste não existe porque ele está a 1,5 metros de profundidade e não foi afetado pela erosão existente na calçada e na rua. A reportagem fez contato com a diretoria de Operações da CMTU, mas não obteve retorno até o fechamento da edição.

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