Ribeirão do Pinhal - Uma cratera de pelo menos 400 metros de comprimento e 10 de profundidade deu contornos assustadores à paisagem da sossegada Vila Rural de Ribeirão do Pinhal (57 km a oeste de Jacarezinho). Aberta na madrugada do último sábado pela forte chuva que castigou vários municípios do Estado, a fenda está a poucos metros de residências da vila e causa temor de novos desabamentos.
''Não ouvi nada na hora em que a estrada cedeu, porque era umas 4 da madrugada e estavam todos dormindo. Quando acordei e vi aquilo, pensei: meu Pai do céu, agora só falta levar a casa'', relatou o lavrador Aparecido Gonçalves, 43 anos, que cuidava de uma residência às margens da estrada. Segundo ele, a localidade ficou sem luz durante as 12 horas seguintes. Gonçalves lembrou que uma cratera menor já havia se formado no local na semana retrasada, também provocada por chuvas.
Localizada em terreno de declive e solo arenoso, a cratera foi rasgando a estrada e engolindo postes de energia elétrica e vegetação. Algumas árvores ficaram com as raízes expostas e estão a um triz de despencar. ''Não colocaram nem placa aqui alertando para o perigo. Já vi uns moleques brincando, descendo pelo buraco, e tentei avisar que eles podem morrer se o barranco desabar'', disse o pedreiro Irineu Matias da Silva, 47 anos.
Os moradores cobram uma medida urgente, já que até agora nenhuma autoridade descartou que haja risco de alargamento da fissura. ''A gente fica com medo do que pode acontecer se chover forte de novo, mas não temos para onde ir'', ponderou Geni Correia da Silva Oliveira, 43 anos, que reside na vila com o marido e um filho pequeno. De acordo com a prefeitura, a Vila Rural abriga 43 famílias.
Alguns motociclistas ainda se arriscam a passar na estreita margem que restou num dos lados da estrada, mas os carros que dependiam da passagem são obrigados a dar a volta por outro caminho. Quando as férias escolares terminarem, o incidente também deverá trazer transtornos às crianças que usam a via.
O prefeito de Ribeirão do Pinhal (PMDB), Moacir Lataliza, afirmou que o Município não tem dinheiro para recuperar a estrada. ''Estamos conversando com órgãos do Estado porque, se eu tiver que preencher aquela cratera com terra, levo o mandato inteiro e ainda não termino'', ressaltou. Em caráter emergencial, ele afirmou que a prefeitura vai tentar construir espécies de ''represas'' às margens da estrada para conter eventuais novas chuvas, mas não soube explicar o projeto, nem fornecer prazos.

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