Coronel Vivida - A localidade de Vista Alegre, um bucólico povoado rural de Coronel Vivida (30 km ao norte de Pato Branco), foi atingida por um corpo celeste gigante com cerca de um quilômetro de diâmetro com força equivalente a alguns milhares de bombas atômicas. O impacto do misterioso objeto espacial abriu uma cratera de quase 10 quilômetros de extensão e arrasou por completo todas as formas de vida existentes por toda a região. A boa notícia é que o raro acontecimento não é um sinal dos tempos, porque ele ocorreu há aproximadamente 130 milhões de anos.
Até pouco tempo atrás, a vida no pequeno povoado situado a 17 quilômetros do centro da cidade seguia sem sobressaltos. Mas em 2004 um engenheiro florestal que trabalhava na região estranhou o formato de uma grande área na região e a aparência de rochas que encontrou no local e decidiu trocar informações com o geólogo e pesquisador da Universidade de Campinas (Unicamp), Álvaro Crosta.
Depois de analisar imagens de satélites e colher fragmentos do solo, o professor não teve dúvidas: havia acabado de identificar a quinta cratera brasileira surgida a partir do impacto de um corpo celeste. A comunidade científica foi informada e o vai-e-vem de estudiosos chamou a atenção da população local.
No início, a novidade chegou a espantar muita gente. "Só fiquei tranquilo depois que perguntei para o pesquisador se tinha chance de cair outro negócio desse e ele disse que não", recorda o carpinteiro Osvino Antônio Gonçalves. A descoberta e os fatos posteriores orgulham o agricultor Alcemar Cevergnini: "o bairro ficou muito mais conhecido e todo mundo que passa pela região para para ver e saber onde fica".
O comerciante Ivanir Copatti, hospedou vários pesquisadores em sua casa e acabou aprendendo algumas informações mais técnicas. Foi aí que decidiu guardar em casa uma pedra de quase 20 quilos que, jura, só pode ser encontrada a uns 700 metros de profundidade. Com o impacto, ela foi jogada para a superfície.
Só quem não parece estar muito contente com o ocorrido é o agricultor Ismael Viecelli, o ex-dono da pedreira onde é coletada boa parte dos fragmentos para análise. Ele doou a área para o município com a promessa de que o local iria servir como um museu que, por enquanto, não saiu do papel. "Estamos esperando", avisa.

Impacto
O pesquisador Álvaro Crosta, afirma que, pelos elementos colhidos até o momento, a ciência especula que o corpo celeste (não se sabe se foi um asteróide, meteoro ou outro tipo de objeto) que atingiu Vista Alegre provocou um estrago maior do que 250 mil bombas atômicas sendo detonadas juntas.
Conforme ele, a força do impacto abriu uma cratera de quase 10 quilômetros de diâmetro e gerou ondas de destruição que podem ter alcançado centenas de quilômetros. Crosta afirma que a data em que aconteceu o impacto no sudoeste paranaense ainda não foi definida. Conforme a rocha mais jovem afetada, que tem 130 milhões de anos, é possível afirmar que o impacto teria então, no máximo, esta idade.
No Brasil, até agora só foram identificadas cinco crateras de impacto e a última foi justamente a de Vista Alegre, que pode ser gêmea com a do Varzeão, em Santa Catarina. Em tamanho, elas variam de oito a 40 quilômetros de diâmetro. No mundo, há pouco mais de 170 já identificadas.

Exploração
A Prefeitura de Coronel Vivida informou que pretende construir um mirante na crista da formação, que fica a cerca de 700 metros acima do nível do mar, às margens da PR-562, e fazer um museu na pedreira localizada na parte para atrair pesquisadores, estudantes da região e visitantes curiosos.
O secretário municipal de Desenvolvimento e Turismo, Leandro Signor, lembra que a antiga pedreira havia sido transformada em um "lixão" a céu aberto. Após a descoberta, o local foi limpo e ganhou um painel explicativo com informações sobre o acontecimento. "A cratera é um dos pontos chaves para trabalharmos o turismo no município", observa.

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