Crânio exposto revela descaso em cemitério
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sexta-feira, 28 de outubro de 2005
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Faltando cinco dias para o feriado de Finados, duas cenas completamente diferentes podiam ser vistas ontem no Cemitério Jardim da Saudade, Zona Norte de Londrina. Enquanto dezenas de pessoas trabalhavam na limpeza e reparos dos túmulos de familiares, um jazigo completamente abandonado expunham restos mortais, causando espanto aos visitantes.
Na quadra 28 do maior cemitério de Londrina, um crânio humano estava à mostra em meio a terra e pedaços de concreto, num túmulo datado de 1991. Não é a primeira vez que os funcionários constatam o absurdo. Na semana passada, o gerente administrativo da Autarquia de Cemitérios e Serviços Funerários de Londrina (Acesf), Carmo Manelito, disse ter visto ossos na superfície de outro jazigo descoberto. Nos últimos meses, houve mais ''dois ou três casos'', segundo ele.
''Quando constatamos, imediatamente restauramos a cobertura do túmulo, porque é uma imagem desagradável para quem passa. Mas na verdade a Acesf não tem obrigação nenhuma de cuidar dos túmulos. Isso é descaso das famílias'', protesta o gerente. Segundo ele, as chuvas têm colaborado para destruir a cobertura de túmulos sem revestimento com piso e que há muito tempo não recebem nenhuma manutenção. Com isso, corpos sepultados em gavetas, acima do chão, ficam facilmente expostos.
Embora o Jardim da Saudade concentre grande número de ''moradores'' de baixa renda, Manelito não atribui o problema à falta de dinheiro para reparos dos túmulos. ''Isso é a pessoa que não liga mesmo para seu ente querido'', criticou. Em vista do grande número de jazigos abandonados, o gerente disse que a Acesf pretende fazer uma nova convocação de proprietários de terrenos em todos os cemitérios da cidade. Os que não responderem e não fizerem as reformas necessárias irão perder os lotes adquiridos.
Para o pedreiro de cemitérios Antônio Barbosa Libarino, falta qualidade na construção dos túmulos. Para prevenir novos problemas, ele contou que há cerca de 15 dias foi criada a ONG dos Pedreiros da Acesf. Depois que a ONG for regulamentada, segundo ele, as famílias só poderão construir túmulos com os pedreiros credenciados. Já são cerca de 40 na cidade. ''É um trabalho que exige gente especializada. Hoje as famílias trazem gente sem conhecimento para fazer o serviço e os túmulos acabam se deteriorando depressa.''
Em atitude exemplar, a dona-de-casa Odalice Oliveira Santos lavava o túmulo da sogra, ontem pela manhã, como vem fazendo desde que faleceu há três anos. ''Vim à pé do Jardim Imagawa e trouxe minha filha para ajudar. Não é porque a pessoa morreu que a gente tem que abandonar.''
Ontem foi o último dia para reparos e manutenção nos cemitérios, antes do Finados. A limpeza está liberada até amanhã.


