Um crânio e uma arcada dentária encontrados ontem à tarde em um terreno baldio no bairro Ahú de Baixo, de Curitiba, podem significar o final triste de um drama que começou há 10 anos. Encontrados embaixo de sacos de cal à beira de um muro, os restos mortais podem ser do menino Ewerton de Lima Gonçalves, uma das 13 crianças ainda desaparecidas no Paraná. A princípio, a família do garoto e a polícia acreditavam que a ossada poderia ser de um cachorro, hipótese não descartada pelo perito criminal Ivo Suares, que periciou o local.
Mauro FrassonEncontro... ossada. Eles acabaram localizando um crânio, enterrado sob sacos de cal num terreno baldioOs indícios, porém, apontam para Ewerton, desaparecido em 23 de dezembro de 1988, com quatro anos. Suares disse que o crânio se parece mais com o de uma criança do que de um animal, embora tenha afirmado que somente exames detalhados podem comprovar a suspeita. Os ossos foram encontrados a cerca de 150 metros da casa da família, local não vasculhado na época do desaparecimento.
O Serviço de Investigações de Crianças Desaparecidas do Paraná (Sicride) recebeu quatro ligações anônimas, a última na quinta-feira passada, afirmando que os restos da criança estariam em terreno baldio.
Por mórbida ironia foi o pai de Ewerton, o funcionário público José Vicente Gonçalves, quem localizou o crânio. Ele e a família, inclusive crianças, procuravam o corpo junto com os policiais em outro terreno baldio, quando resolveu ir sozinho ao terreno onde encontrou a ossada. ‘‘Quase tive um enfarte’’, revelou. ‘‘A princípio achei que fosse de um cachorro. Espero que não seja do meu filho’’, disse.
O delegado do Sicride, Harry Herbert, afirmou que serão realizados exames para verificar se os ossos encontrados são humanos e um exame de DNA para atestar se são do corpo de Ewerton. Os policiais continuaram as buscas no terreno, mas até o final da tarde não haviam localizado outros ossos. Herbert achou ‘‘intrigante’’ a presença de grande quantidade de cal sobre o corpo.
Para o perito criminal, no entanto, o cal não teve influência na decomposição do ossos porque estava dentro de sacos plásticos. Suares admitiu, porém, que os ossos aparentam ser de uma criança e que o tamanho do crânio é muito grande para ser de um cachorro.
A versão de que poderia se tratar de um cão ganhou força com as declarações da estudante Marlei Carolina Belo, 17 anos, vizinha dos Gonçalves. Ela disse que enterrou um cachorro da raça Fox em 1994. O cão havia morrido atropelado e ela o enterrou no local onde foram encontrados os ossos.

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