Os mais de 35 quilos de crack apreendidos anteontem em Londrina pela Promotoria de Investigações Criminais (PIC) durariam cerca de duas semanas até serem repassados aos traficantes menores e, desses, para os consumidores finais. A previsão é de policiais que participaram da operação que resultou na apreensão. De acordo com a coordenação estadual do Narcodenúncia da Polícia Militar, o mercado consumidor do crack é bastante dinâmico porque a droga é barata e causa dependência mais rápido que outras substâncias entorpecentes. Se fosse apenas separada em porções para venda em pontos de tráfico, o carregamento apreendido renderia 100 mil papelotes.
Durante coletiva de imprensa realizada na PIC anteontem, o comentário entre os policiais era de que a Região Metropolitana de Londrina é abastecida mensalmente com pelo menos dois carregamentos semelhantes. Ontem, o delegado da PIC, Alan Flore, disse que não compartilhava dessa avaliação mas observou que a droga seria comercializada em poucos dias. ''É difícil avaliarmos com que frequência chegavam esses carregamentos mas é uma droga que seria rapidamente distribuída para a venda'', afirmou.
De acordo com ele, os nove suspeitos detidos entre eles três mulheres foram ouvidos e seguiam detidos. Os presos foram autuados por tráfico e associação para o tráfico. Além da droga, a PIC apreendeu um carro importado, duas motos e mais R$ 7 mil em dinheiro.
A apreensão foi a maior registrada no Estado este ano e é uma das maiores da história paranaense. Se fosse dividida para consumo renderia 105 mil papelotes, já que cada quilo rende em média três mil pequenas porções. O número é pouco menor do que o total das apreensões realizadas em todo o ano passado no Estado 118 mil pedras. Se fosse misturada a outras substâncias, o crack triplicaria de peso. Se chegasse até o consumidor final, o carregamento apreendido renderia cerca de R$ 1,7 milhão.
Segundo o coordenador estadual do Narcodenúncia (181), tenente-coronel Jorge Costa Filho, o aumento de apreensões de crack no Estado é devido a pelo menos dois aspectos. O primeiro é que trata-se de uma droga de baixo valor de venda para o consumidor final e, portanto, mais acessível. ''Com R$ 5,00 ou R$ 10,00 é possível comprar um papelote.'' O segundo é que com a implantação do Narcodenúncia, em junho de 2003, as apreensões e prisões passaram a acontecer com mais frequência.
Ele argumentou que as prisões de grandes traficantes são difíceis de serem feitas por causa da organização das quadrilhas. ''Eles fatiam a droga e loteiam rapidamente para não deixar concentradas grandes quantidades em um lugar só.''

mockup