Crabi condena a construção de novas barragens
Crabi condena a construção de novas barragens Ricardo AbreuDia Internacional de Luta Contra as Barragens reuniu atingidos ontem, em Guaíra; Crabi alega que Brasil não precisa de novas hidrelétricas até 2025 Vânia Moreira Enviada a Guaíra Atingidos por usinas hidrelétricas no mundo todo comemoraram ontem o Dia Internacional de Luta Contra as Barragens. No Paraná, a Comissão Regional dos Atingidos por Barragens do Rio Iguaçu (Crabi) promoveu um encontro em Guaíra (115 quilômetros a sudoeste de Umuarama) com reassentados, pescadores, ambientalistas e outros interessados. Queremos chamar a atenção da população para os problemas e prejuízos sociais e ambientais que as barragens causam, explicou o presidente da Crabi, José Uliano Camilo, que também integra o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) do Brasil. Cerca de 100 pessoas participaram do encontro. Segundo Camilo, cerca de 1 milhão de pessoas já foram deslocadas para construção de duas mil barragens no Brasil nos últimos 30 anos. Ao todo, mais de 3 milhões de hectares já foram inundados. De acorco com o presidente da Crabi, as barragens causam os maiores impactos sociais e ambientais, mas apenas 5% são resolvidos. Os atingidos muitas vezes não conseguem nem receber as indenizações a que têm direito, diz. De acordo com Camilo, o Brasil não precisa mais de barragens até 2025. A demanda em épocas de pico pode ser suprida com termoelétricas e readequação da tecnologia das empresas. Mesmo assim, já existem projetos para construção de dezenas de barragens, a maioria delas para atender interesses de grupos estrangeiros. A população precisa participar das discussões em torno destes projetos, questionar sua real necessidade e cobrar estudos alternativos para evitar ou reduzir os impactos. O promotor de Justiça de Guaíra, Robertson Fonseca de Azevedo, informou que existem projetos para construção de mais 20 barragens no Paraná, inclusive nos rios Tibagi, Ivaí e Piquiri, os dois últimos no Noroeste do Estado. Estes rios são os únicos ainda livres de barragens e queremos acompanhar os estudos sobre estes projetos, informou. A construção de uma barragem no Rio Piquiri, como pretende a Copel, acabaria com o Salto Paiquerê, no Rio Goioerê, e com as corredeiras conhecidas como Apertados do Piquiri, no ponto onde o Goioerê deságua no Piquiri. Os municípios da região têm projetos para transformar os saltos e corredeiras em parque ecológico e turístico.





