As 235 famílias de agricultores que serão transferidas para a Fazenda Piquiri, em Cascavel, com a formação do reservatório da Usina Hidrelétrica de Salto Caxias, da Copel, ameaçam ocupar a área na próxima semana e impedir qualquer ação relacionada ao projeto de construção do novo aeroporto de Cascavel no local.
A informação foi dada ontem pela Comissão Regional dos Atingidos por Barragens do Iguaçu (Crabi), que estava reunida em Capitão Leônidas Marques - onde está o canteiro-de-obras da usina - com coordenadores das áreas ambiental e de reassentamentos de Salto Caxias.
As famílias não aceitam o aeroporto no local. Elas alegam que a obra representará risco à segurança e inviabilizará a produção de leite e avicultura, sensíveis a ruídos muito fortes. As famílias só tomaram conhecimento do projeto na semana passada, embora ainda no início de 96 tenham aprovado a fazenda para que fosse comprada pela Copel para reassentamento.
‘‘A necessidade da aprovação consta de acordos entre Crabi e Copel. A companhia não nos informou que havia área reservada para a obra no local’’, afirma o coordenador da Crabi, José Uliano Camilo, o que foi confirmado pela direção da Copel em Salto Caxias.
A Prefeitura de Cascavel há vários anos planeja a construção de um novo aeroporto de grande porte porque o atual não permite ampliações e está em posição inadequada em relação aos ventos predominantes. O prefeito Salazar Barreiros (PPB) foi informado, também na semana passada, de que o governador Jaime Lerner (PDT) colocou 80 dos 2.731 alqueires da Fazenda Piquiri à disposição do Ministério da Aeronáutica, responsável pela elaboração do projeto. A Copel pagou pela área R$ 20 milhões. A execução da obra exigirá recursos de R$ 13 milhões, já previstos no Orçamento da União.
A fazenda fica à margem da BR-369, a 15 quilômetros da cidade, e as famílias devem ser reassentadas no primeiro semestre de 98, seis meses antes do início da operação da usina. Em vários municípios, a Copel adquiriu cerca de 7,3 mil alqueires para reassentar 646 famílias.

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