Israel Reinstein
De Curitiba
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e a Comissão Pastoral da Terra (CPT) solicitaram ontem ao procurador geral da Justiça, Gilberto Giacóia, a abertura de processo contra a juíza de Loanda, Elizabeth Khater, o secretário de Estado da Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira, e policiais militares envolvidos na escuta telefônica de conversas dos sem-terra. O pedido foi encaminhado junto ao relatório da Corregedoria da Polícia Civil, que classificou como ilegal o grampo. Dentro de duas semanas, a procuradoria deve se pronunciar, informando se abre processo contra os envolvidos ou pede novas investigações.
No documento entregue foi pedida também a punição do coronel Valdemar Krestchmer, subcomandante e chefe do Estado Maior da Polícia Militar, major Waldir Copetti Neves, chefe do Grupo Águia do Comando do Policiamento do Interior, e do 3º sargento Valdeci Pereira da Silva, do 8º Batalhão de Polícia Militar. Segundo o advogado da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Darci Frigo, eles cometeram crime de usurpação de função pública, abuso de poder, desrespeito a lei de interceptação de comunicação telefônica.
Caso a denúncia CPT seja aceita, o procurador Gilberto Giacóia informa que serão adotados dois procedimentos. Se não necessitar de novas provas, abre-se o processo. No entanto, ele acredita haver maior probabilidade de solicitar uma investigação. Neste caso, como está envolvida a juíza Elizabeth Khater, toda a apuração será feita pelo órgão especial da Justiça.
Depois dessa apuração, todo o processo retorna ao Ministério Público Estadual, que define se há necessidade de processo. No entanto, explica o advogado dos sem-terra de Querência do Norte, Avanilson Alves de Araújo, podem existir outros empecilhos na apuração. Um deles seria que o ato dos policiais fossem considerados crimes militares, portanto teriam que ser investigados pela Justiça Militar.
Darci Frigo justificou a demora da CPT para entrar com um processo contra os envolvidos, alegando que antes era preciso soltar os 42 líderes, presos nas desocupações em abril e maio. Para Avanilson Araújo, esta demora acabou os beneficiando, especialmente, porque a cada dia a própria Secretaria de Estado da Segurança Pública foi gerando provas a favor dos sem-terra.

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