CPMF preocupa quem recebe contas
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sexta-feira, 24 de janeiro de 1997
Lúcio Horta 
Marcos BorgesE o repasse?Sílvio Ito, das farmácias Dom Bosco: dúvida sobre contas de água
A cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), que entrou em vigor ontem em todo Brasil, tem causado preocupação entre donos de estabelecimentos comerciais que recebem contas públicas em Londrina, como água, luz e telefone. O receio é de que o lucro que o comerciante tem com o serviço, entre R$ 0,25 e R$ 0,38 por fatura, possa ir direto para os cofres da Receita Federal.
As farmácias estão entrando em entendimento com as empresas no sentido de que isso seja compensado ou rateado, afirmou ontem o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos de Londrina, Jefferson Proença Testa. Segundo ele, se empresas como Sercomtel, Sanepar ou Copel não compensarem o valor da CPMF, muitas farmácias ou mesmo supermercados da Cidade podem pedir o descredenciamento do sistema.
Mas acredito que vai imperar o bom senso, observa Testa, alertando que, se isso não acontecer e o estabelecimento quiser manter o serviço, o valor do imposto poderá até ser repassado para o preço dos produtos.
O responsável pelos convênios da rede Drogamais em Londrina, Pedro Henrique Baum, confirmou a preocupação. Tem farmácia que diz que não vai mais aceitar pagamento das contas com cheque, só com dinheiro.
A Copel vai pagar ao comerciante a comissão de R$ 0,30 para cada fatura, mais 0,20% sobre o valor total das contas. Quer dizer: a farmácia não vai pagar o imposto, garante o gerente de distribuição da Copel em Londrina, Artur Nishikawa.
A cobrança nos estabelecimentos comerciais tem sido positiva para a Copel, até como uma forma de fugir das tarifas bancárias. Além disso, para o consumidor é uma boa alternativa, já que os bancos fecham às 16 horas e tem supermercado que fica aberto até às oito da noite, diz Nishikawa. Hoje, segundo ele, 30 estabelecimentos comerciais na Cidade estão cadastrados para receber a conta de luz.
O Sercomtel optou pelo mesmo caminho. Segundo o diretor financeiro da empresa, Ismael Mologni, ainda na semana passada os técnicos da área se reuniram para discutir o assunto e definiram por repassar o valor do imposto. Os comerciantes não têm culpa de pagar mais um imposto.
Mologni explica que os estabelecimentos repassam ao Sercomtel o valor total das contas, quitadas durante o mês, de uma só vez e com cheque. Por isso, diz, eles iriam pagar sobre esse valor os 0,2% da CPMF. A proposta da empresa é reembolsar as farmácias com o valor do imposto, além de pagar a comissão de R$ 0,38 para cada fatura.
No caso da Sanepar, no entanto, a notícia não é boa para os comerciantes que recebem as contas de água. Segundo o serviço de comunicação da companhia em Curitiba, a posição definida é não compensar os comerciantes pelo desconto da CPMF. A Sanepar acredita que a postura não vai prejudicar o recebimento das contas.
O sócio-proprietário da rede farmacêutica Dom Bosco, Sílvio Luiz Ito, diz que pretende fazer um levantamento para verificar se pode ou não haver prejuízo no recebimento das contas de água. A rede tem quatro farmácias operando em Londrina e todas mantêm o serviço. Se não valer a pena fica difícil continuar prestando o serviço.
Sílvio Ito explicou que, para cada conta recebida na farmácia, a Sanepar repassa R$ 0,25, independente do valor da fatura. Mas em alguns casos, como em grandes condomínios, a conta da água pode chegar até R$ 30 mil, o que implicaria em prejuízo para a rede. E todo dia nós deslocamos um motoqueiro para levar as faturas para Sanepar, elevando o custo operacional. Até segunda-feira a rede espera ter uma posição definida sobre o assunto.


