CPI tenta provar sonegação fiscal de funerárias
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 26 de abril de 2001
Sid SauerDe Campo Mourão 
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga os serviços funerários de Campo Mourão está atrás de recibos para comprovar que as funerárias da cidade sonegam impostos. A busca começou depois que a comissão recebeu denúncias de que alguns serviços são cobrados por fora, deixando o preço final de um funeral bem acima da tabela da prefeitura.
Até agora, os vereadores já conseguiram cerca de 15 desses recibos, mas eles querem mais. O presidente da CPI, Sidnei Jardim (PPS), vai recolher os recibos conseguidos até quinta-feira da semana que vem. As pessoas que têm um recibo desses podem levá-lo à Câmara ou nos avisar pelo telefone, disse Jardim. O telefone da Câmara é (044) 523-2330.
A presidente da Comissão Municipal de Avaliação dos Serviços Funerários, Sônia Maria Silvestrin, disse à CPI que a cobrança à parte de alguns serviços não incluídos na tabela da prefeitura foi autorizada pelo órgão. A cobrança pode ser legal, mas as funerárias tinham que emitir notas fiscais e não um recibo em separado, ressalta Jardim.
Sônia Maria prestou anteontem um segundo depoimento à CPI. Ela admitiu que a Comissão Municipal, que antes se reunia uma vez por mês, agora só se reúne se tiver algum problema no setor. No ano passado, por exemplo, teria ocorrido apenas um reunião entre os membros da comissão. Este ano, eles não se reuniram nenhuma vez.
O empresário Osvaldo Casais, que foi dono de funerárias em Campo Mourão entre 1981 e 1995, também prestou depoimento anteontem à CPI. Ele disse que sofreu perseguição da prefeitura até ser excluído do sistema e que as empresas que hoje atuam na cidade foram beneficiadas na última licitação. A prefeitura nega que tenha havido irregularidades.
A CPI deverá ouvir apenas na segunda semana de maio os depoimentos dos donos das duas funerárias que funcionam em Campo Mourão. Por enquanto, eles não querem dar declarações à imprensa. A prefeitura anunciou que abrirá em dois meses uma nova licitação para a prestação do serviço funerário e descarta a possibilidade de estatizar o setor.


