Almirante Tamandaré - O relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), instalada para investigar as condições em que foram assassinadas 17 mulheres, em Almirante Tamamandaré, Região Metropolitana de Curitiba, pode servir de base para que as famílias das vítimas entrem com ações judiciais contra o Estado. A dica é do relator da CPI, instalada pela Câmara Municipal de Almirante, vereador Luiz Piva (PT).
O documento será apresentado hoje na Câmara do Município. O vereador adiantou que o relatório aponta a omissão da Secretaria de Segurança Pública nos crimes. Os homicídios teriam como autores pessoas vinculadas a uma quadrilha de crime organizado.
Para investigar o caso, em setembro do ano passado foi criada a CPI. O relatório conclusivo da comissão propõe a criação de uma força-tarefa das polícias Civil e Militar para apurar os assassinatos. O relatório ainda pode subsidiar, conforme adianta o vereador, a população e o Ministério Público no caso de ações indenizatórias contra a Secretaria de Segurança.
O jurista Clemerson Cleve, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) esclarece que as ações nessas circunstâncias são possíveis. ‘‘O relatório de uma CPI não decide e nem julga, mas pode servir de substrato para que outras medidas judiciais sejam tomadas’’, explicou.
A gravidade do crimes cometidos no município levou o secretário da Segurança, José Tavares, a designar a delegada Vanessa Alice para cuidar, exclusivamente, do caso. Na semana passada, ela entrou com pedido de 31 prisões preventivas de suspeitos de envolvimentos nas mortes - 17 foram acatadas e 11 pessoas estão presas, incluindo dois funcionários da delegacia.
O secretário também afastou, na última sexta-feira, o delegado titular da delegacia do município, Rogério Haisi. Ontem à tarde, no entanto, ele continuava trabalhando no local. Nos últimos dois anos, 17 mulheres foram encontradas mortas no município. Segundo a polícia, a maioria das vítimas tinha ligação com traficantes e drogas.

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