CPI quer interdição de cemitério
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quinta-feira, 28 de setembro de 2000
Julio Cesar Lima De Curitiba 
A CPI Estadual do Narcotráfico vai pedir a interdição parcial do Cemitério Santa Cândida, em Curitiba, para que seja analisada a área ocupada pelo terreno. Há suspeita de que o lençol freático da área e o córrego afluente do Rio Atuba possam estar contaminados por causa dos cadáveres enterrados no local.
Durante exumações ocorridas no mês passado, várias sepulturas estavam com grande umidade, situação que alertou os parlamentares. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Curitiba não se manifestou sobre o assunto. O Cemitério Santa Cândida tem oito mil túmulos em uma área de 133 mil metros quadrados.
Segundo o deputado estadual Algaci Túlio (PTB), presidente da CPI, as irregularidades encontradas nas sepulturas, geralmente em covas rasas, chamaram a atenção da CPI. Em dias de chuva as enxurradas podem provocar problemas para os moradores que moram no fundo de vale, pois essa água passa por todas as covas, disse Túlio. Inaugurado em 1957, o cemitério registrou 95 mil enterros nesse período e ao seu lado está a Vila Califórnia, município de Colombo.
Além do pedido de interdição do cemitério, a CPI recomeça na próxima semana as investigações sobre o suposto tráfico de cadáveres em Curitiba. Serão convocados os responsáveis pelos departamentos de Anatomia das universidades, que deverão explicar o motivo de vários corpos terem sido enterrados com falta de membros, a descoberta de lixo hospitalar e de caixões com até quatro corpos. O ex-diretor do Instituto Médico Legal (IML), Francisco Moraes e Silva, pivô das denúncias, também será ouvido.
Está semana os parlamentares receberam do Ministério Público uma cópia do laudo das exumações de 37 sepulturas. O trabalho foi realizado pelos legistas que acompanharam a operação e há 15 dias o entregaram à Promotoria de Investigações Criminais (PIC). O delegado Fauze Salmen, da Delegacia de Homicídios, continua responsável pelas investigações do caso.


