Uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) vai investigar denúncias de prostituição infantil em Campo Mourão. A comissão já está aprovada pela Câmara de Vereadores, mas ainda não começou os trabalhos. Os sete vereadores responsáveis pela CPI deverão se reunir esta semana para escolher presidente e relator. Só a partir daí é que os trabalhos começam. O autor da proposta, Edevaldo Louzano (PTB), não descarta a visita aos pontos de prostituição da cidade.
‘‘É bem provável que tenhamos que fazer batidas’’, diz o vereador. Além da Praça Getúlio Vargas, no centro da cidade, e de pátios de postos de gasolina, em locais afastados, Louzano também admite que os membros da comissão deverão visitar ‘‘boates’’ que funcionam no município. ‘‘Será um trabalho difícil, mas vamos tentar’’, admite o vereador.
Para aprovar a criação da CPI, Louzano não teve dificuldades. O requerimento protocolado na Câmara acabou recebendo a assinatura de outros nove vereadores, o que representa dois terços do Legislativo. O requerimento diz que a CPI deverá localizar os pontos de prostituição infantil e identificar os responsáveis pelo crime. Outro vereador empolgado com a criação da comissão é Júlio Vieira dos Santos (PDT), que já trabalhou junto com prostitutas numa extinta zona de prostituição de Campo Mourão. ‘‘Podemos tentar amenizar o problema’’, diz. Vieira diz que sabe onde existem alguns pontos de prostituição e que conhece menores que engravidaram enquanto se prostituiam. ‘‘Elas alegam que precisam de dinheiro, mas temos que fazer alguma coisa’’.
Viera defende que seja intensificado o toque de recolher, proibindo que menores fiquem sozinhos, fora de casa, à noite. Atualmente, uma portaria do Juizado da Família limita a presença de menores nas ruas até as 23 horas, mas o vereador acha que a determinação precisa ser melhor fiscalizada. Já Louzano sugere que o telefone da Câmara seja colocado à disposição para receber denúncias. O Conselho Tutelar, as polícias Civil e Militar e a Justiça da Família deverão ser chamados para participar da CPI.
Fotos A presidente do Conselho Tutelar de Campo Mourão, Marisa Eliete do Nascimento, disse ontem que a iniciativa da Câmara é boa, mas acha pouco provável que que os vereadores consigam sucesso nos trabalhos. ‘‘É muito difícil provar a prática da prostituição’’, frisa. Um caso de duas menores - uma de 16 e outra de 17 anos - fotografadas nuas numa casa de prostituição, por exemplo, está em investigação desde 1997. O caso foi parar no Ministério Público e virou inquérito policial, que só deve ser concluído este mês.

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