CPI investiga salários irregulares
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sexta-feira, 14 de março de 1997
Edna Mendes Correspondente 
GUARAPUAVA - O prefeito de Guarapuava, Vitor Hugo Burko (PSDB), enviou à Câmara de Vereadores documentos que comprovariam o recebimento de complementações salariais irregulares pelos secretários municipais da administração anterior. A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) aberta pela Câmara para apurar irregularidades cometidas pelo secretariado da administração César Franco (PDT) completa 30 dias na semana que vem e deve ser prorrogada. Burko tem até o dia 25 de março para enviar o restante dos documentos.
O ex-secretário de Finanças, Roberto de Oliveira Ribas, deveria ser ouvido pela CPI no final da tarde de ontem, a portas fechadas. Convocado para depor pela primeira vez anteontem, ele não compareceu. Ribas foi procurado ontem pela Folha mas disse apenas que ligaria mais tarde.
Segundo o presidente da CPI, Edony Kluber (PSDB), os documentos enviados pelo prefeito comprovam irregularidades cometidas pelo ex-assessor especial de gabinete, Antonio Leocádio de Souza, e pelo ex-ouvidor municipal, Luiz Anselmo Trombini. Eles são proprietários do Restaurante Alecrim e teriam fornecido refeições para a prefeitura. Entre os documentos enviados pelo prefeito, existem cópias de notas fiscais emitidas pelo restaurante.
Kluber apresentou uma nota fiscal de pouco mais de R$ 4 mil com data de emissão posterior ao dia registrado no empenho (documento para liberação de receita). Isso demonstra que houve privilégios para esses dois secretários - afirmou Kluber.
O ex-prefeito Cesar Franco (PDT) disse que as denúncias são fruto de uma briga política que tenta diminuir seu prestígio na região, já que ele tem futuras pretensões políticas. O ex-prefeito disse ainda que se alguém tiver dúvidas sobre sua administração deve procurar a Justiça. Se houver qualquer irregularidade estou disposto a responder por isso. Não quero saber de bate-boca.
A polêmica cresceu depois que o radialista Francisco da Silva Lima afirmou em um programa que os secretários da administração passada eram beneficiados de maneira ilegal. Convocado para depor na CPI, Lima disse que soube das irregularidades pelo próprio ex-secretário de finanças.
A CPI investiga também uma acusação contra o ex-contador geral do município, Ernesto José da Silva. Segundo o presidente da Comissão, ele teria recebido um salário complementar, no valor de 11 salários mínimos, como contador da Fundação do Bem-Estar do Menor (Fubem), órgão municipal.
No contrato de trabalho de Silva constava que ele era funcionário exclusivo da prefeitura e não poderia prestar serviços para outros órgãos. Silva disse ontem à Folha que não estava sabendo da CPI e por isso não tinha nada a declarar. Vou aguardar.
O assunto surgiu quando o prefeito foi questionado por vereadores sobre o aumento de R$ 2,4 mil para R$ 4 mil nos salários dos secretários municipais. Meu secretariado teve esse aumento porque só vai receber o que consta no holerite, atacou.


