CPI dos Camelôs começa a ouvir testemunhas em PG
Emerson Cervi
De Curitiba
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Camelôs, instalada na Câmara de Vereadores de Ponta Grossa para investigar denúncias de comércio irregular de espaços para vendedores ambulantes no camelódromo da cidade, começou ontem a ouvir depoimentos de testemunhas. As vendedoras ambulantes Leonina Ferreira e Maria de Lurdes Novelim e o contador Marcelo Ianoski falaram com os vereadores da CPI durante duas horas.
Segundo o presidente da comissão, vereador Gerveson Tramomtim Silveira (PT), em seus depoimentos, Maria de Lurdes e Leonina Ferreira afirmam que tiveram que comprar barracas da presidente da Associação de Vendedores Ambulantes de Ponta Grossa para poderem trabalhar no camelódromo. A dona Leonina disse que pagou R$ 2 mil pela barraca e a Maria de Lurdes chegou a acertar o preço mas depois desistiu do negócio, contou.
Maria de Lurdes também entregou uma fita à CPI com gravação de uma conversa dela com a presidente da Associação dos Camelôs, Diva Oliveira. Vamos mandar degravar a fita, mas dá para ouvir claramente a Diva dizendo que seria preciso um agrado para liberar a vaga. A reportagem da Folha procurou ontem a presidente da Associação, mas ela não foi encontrada para falar sobre o assunto.
A lei municipal que regulamenta o comércio ambulante na Praça João Pessoa proíbe o comércio de espaços. Existe uma fila de espera para os camelôs que pretendem trabalhar na praça. A prefeitura dá a outorga para uso dos espaços com a indicação da Associação de Camelôs. Segundo a denúncia feita por um grupo de vendedores ambulantes, a fila de espera estaria sendo desrespeitada por camelôs que pagavam para serem indicados pela direção da associação à prefeitura.
A próxima reunião da CPI será segunda-feira. Os vereadores vão ouvir os camelôs Ederson Santos, Jorge Borges e Marilena Fernandes. Todos estão na fila de espera há vários anos. Depois que a comissão ouvir os vendedores ambulantes, será convocado o diretor do Departamento de Urbanismo da prefeitura, Oscar Chaves Pereira. Ele é responsável pela outorga de autorizações das barracas no camelódromo. A denúncia também está sendo investigado pelo Ministério Público.





