Curitiba Para quem acreditou no boato lançado no início do ano de que bandas famosas do rock internacional como Radiohead e Strokes viriam ao Paraná, o Curitiba Pop Festival (CPF) que se encerra na noite de hoje na Ópera de Arame pode ter sido uma decepção. Mas para os pessimistas que previam um festival com vinte bandas de pouco talento e infra-estrutura precária, o evento pode ser considerado como uma grata surpresa.
Os principais defeitos apontados pelos críticos antes do início da apresentação das 20 bandas que tocam nos dois dias de shows acabaram se mostrando justamente os pontos fortes do CPF. O não pagamento de cachê às bandas nacionais que se apresentaram, por exemplo, chegou a motivar o vereador curitibano Paulinho Lamarca (PT) a fazer um pedido à prefeitura da cidade, em busca de mais informações sobre a previsão de receitas do evento.
A falta do incentivo financeiro, entretanto, parece não ter interferido na apresentação das bandas independentes, que se esforçaram para mostrar qualidade ao público do evento. No sábado, apresentações de bandas desconhecidas da maioria do público, como os mineiros do Valv, acabaram chamando mais atenção do que o show de Otto, único brasileiro a ganhar cachê pelo seu show devido a sua carreira iniciada no mangue beat na década passada.
Para o flautista da banda curitibana Bad Folks, Theo Marques, o CPF funcionou como uma vitrine para as bandas que ainda procuram seu lugar ao sol. ''Ao final do nosso show, fomos procurados pelo pessoal da Trama (gravadora), que elogiou muito o nosso som. Pode ser o começo de uma parceria'', comentou.
A escolha da Ópera de Arame para a realização do CPF também gerou críticas à Fundação Cultural de Curitiba, co-responsável pela organização do evento. O local, idealizado para abrigar espetáculos teatrais e musicais, vinha sendo utilizado primariamente para a realização de formaturas de estudantes universitários devido à acústica ruim do local e o desconforto de suas cadeiras.
Os problemas foram contornados com uma adaptação do ambiente, com a remoção das cadeiras e a montagem de três tablados, que acabou possibilitando ao público uma boa visão do show de qualquer lugar da Ópera de Arame. O posicionamento das caixas de som também reduziu as dificuldades com a acústica da Ópera de Arame.

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