Cozinha Escola ensina a culinária econômica
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terça-feira, 15 de maio de 2007
Adriana Ito<br>Reportagem Local 
''As pessoas acham que a casca dos alimentos é para porcos, existe muito preconceito em relação a comer essas partes que geralmente se joga fora.'' A constatação é de Vilma Claro Soares, 37 anos, que trabalha como cozinheira em uma escola, mas nunca tinha usado essas cascas para preparar as refeições. Agora, além de implementar no próprio cardápio, ela pretende orientar outras pessoas em relação ao assunto.
Essa mudança de mentalidade, levando as pessoas a deixar de chamar determinadas partes dos vegetais de restos para encará-las como ingredientes, é um dos principais objetivos do programa Cozinha Escola, do Serviço Social da Indústria (Sesi). O ''caminhão-escola'' do programa está em Londrina esta semana a convite da Sercomtel, orientando a comunidade em cursos de preparo de alimentos baratos e com alto teor nutritivo, sem qualquer prejuízo no sabor.
Os cursos começaram na segunda-feira, divididos em quatro turnos no decorrer do dia, e vão até sexta-feira na sede da Sercomtel no bairro Cervejaria (Zona Leste de Londrina). De manhã, o público-alvo são os multiplicadores, pessoas que têm interesse em adquirir os conhecimentos para repassá-los para outros ou aplicá-los em seu trabalho, como cozinheiros de creches, escolas, hospitais e outras entidades. ''Nesse curso, nós promovemos o aproveitamento integral dos alimentos, além de trabalhar a educação alimentar, com orientações nutricionais. Também ensinamos as pessoas a preparar diversos pratos e fazemos a degustação, para provar que realmente são gostosos'', explica Cássia Bertocco, uma das nutricionistas do programa.
Além de acabar com o preconceito em relação ao aproveitamento de cascas aparentemente inutilizáveis, como de abacaxi e banana, a nutricionista ainda quebra vários tabus em relação à comida. ''Muitos ainda acreditam que bolo quente dá dor de barriga, que manga com leite faz mal, e que o feijão preto é o que tem mais ferro, sendo que o feijão carioca tem um pouco mais'', relaciona.
Segundo Cássia, essa alimentação, além de mais nutritiva, barata e sem desperdícios, ainda contribui para melhorar a saúde das pessoas. É o que espera a cozinheira Marta Regina Silva. ''Tenho excesso de peso e dificuldade para emagrecer. Mas agora aprendi quais alimentos eu posso comer que vão me ajudar a perder peso'', explicou. Marta atualmente não exerce o cargo de cozinheira, e por isso está implementando os novos conhecimentos em casa. ''Antes eu fazia arroz, feijão, carne e uma salada, agora vou preparar pratos diferentes, com mais legumes e verduras'', revela.
No Paraná, o programa funciona há dois anos, e a equipe é composta por três nutricionistas, duas auxiliares de cozinha e um motorista. Eles viajam por todo o Estado realizando os cursos, que duram cinco dias (em um total de 24 horas) para os multiplicadores e quatro dias (dez horas, ao todo) para a comunidade em geral. Quem conclui o curso ainda ganha um livro de receitas ilustrado. No próximo mês, a Cozinha Escola vai passar por Apucarana e Arapongas.


