A Associação dos Moradores do Jardim Ideal, em Londrina, está a procura de voluntários para trabalharem na cozinha comunitária, instalada na quinta-feira passada no pátio do Mercadão do Povo, que fica no bairro. Por enquanto, apenas cinco pessoas se revezam na preparação de uma sopa, distribuída para pessoas carentes daquela região, principalmente das favelas Santa Mônica, Marabá e Amparo.
A cozinha funciona num ônibus doado pela Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL) e tem dois fogões e um freezer. Os alimentos usados na preparação da sopa são as sobras do Mercadão: tomate, cenoura, vagem, mandioca, batata, couve, pimentão, entre outros. ‘‘Antes, cerca de mil quilos de alimentos eram jogados no lixo diariamente’’, conta Orides Arantes, presidente do Mercadão. ‘‘Isso porque doamos três mil quilos de alimentos por dia para 80 entidades’’.
A idéia de preparar e distribuir a sopa partiu da Associação dos Moradores do bairro, segundo Moisés dos Santos, presidente da entidade. ‘‘Pedimos auxílio para o pessoal do Mercadão, que nos ajudou prontamente’’, diz. Desde quinta-feira, foram preparados mil litros de sopa. ‘‘Cerca de 500 pessoas comem desta sopa diariamente’’, calcula.
Funcionando em caráter experimental, o projeto sofrerá ajustes nos próximos 15 dias e pode funcionar também à noite, dependendo da quantidade de voluntários disponíveis. Por enquanto, a sopa está sendo servida no local, das 11 às 14 horas, de segunda-feira à sábado. ‘‘Queremos cadastrar entidades que possam levar a sopa para ser servida em suas sedes. É que o local onde a cozinha está instalada é inadequado para a distribuição por ter um tráfego diário de dois mil veículos’’, explica Arantes. Cada entidade receberá a sopa uma ou duas vezes por semana.
Moisés dos Santos gostaria que o projeto fosse estendido para outros bairros da Cidade. ‘‘A maioria dos supermercados joga sobras de verduras e legumes no lixo, que poderiam ser usadas para alimentar muita gente necessitada’’, diz.
No sábado, mais de 20 crianças da favela Santa Mônica tomaram sopa, ao meio-dia. De barriguinha cheia, muitas acabaram levando o alimento em vasilhas para casa. Priscila Aparecida Bertozi, de 12 anos, mora na favela e foi ao Mercadão com mais três irmãos - de quatro, sete e oito anos - para pegar sobras de frutas já que não teria almoço em casa. ‘‘Quando não temos comida tentamos conseguir alguma coisa aqui’’.
A menina ficou feliz ao saber que poderia tomar sopa. ‘‘Está uma delícia’’, disse. Seus irmãos, entretidos com pratos e colheres, só balançavam a cabeça afirmativamente. Simone Posman, de 10 anos, também levou sopa para o resto de sua família. ‘‘Tenho dois irmãos e só um trabalha. Minha mãe é dona de casa e meu pai foi embora. De vez em quando, falta comida mesmo’’, afirmou, de olhos arregalados voltados para a panela de sopa.

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