Cozinha Brasil ensina a aproveitar alimentos
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 19 de junho de 2007
Adriana Ito<br>Reportagem Local 
Depois de passar pela cidade no mês passado, o projeto Cozinha Brasil do Serviço Social da Indústria (Sesi) voltou a Londrina esta semana. Desta vez a convite da empresa Rondopar, o ônibus-escola deve conscientizar até sexta-feira cerca de cem mulheres em relação ao aproveitamento total dos alimentos. Destas, 15 ainda atuarão como multiplicadoras, transmitindo seus conhecimentos a outras pessoas e implementando em seus locais de trabalho. ''Nós sempre investimos em atividades e projetos de responsabilidade social. E esse projeto é interessante por orientar como aproveitar melhor os alimentos, mostrando que não é preciso pagar caro para ter uma alimentação rica em nutrientes'', explicou Gina Romero, diretora de marketing da Rondopar.
O curso é voltado para multiplicadores no período da manhã, e para a comunidade em geral em três turmas à tarde. Ao final, cada participante recebe um livro de receitas. Nele, os alunos recebem orientações sobre nutrição, comportamento alimentar, manipulação e conservação de alimentos, além de aprender e provar receitas bastante diferentes, como doce de casca de banana, bolo de beringela com calda de beterraba, salpicão com a parte branca da melancia, macarrão com casca de berinjela e salada de batata com casca de laranja. ''São todas muito saborosas, e os alunos adoram'', garantiu Ana Carolina Knaut, que, junto com outras três nutricionistas e duas auxiliares de cozinha, ministram os cursos no ônibus-escola do Sesi, estacionado na Associação Esportiva e Recreativa Rondopar, no Jardim Eucaliptos (Zona Leste).
A nutricionista contou que os alunos também recebem orientações sobre higiene, como retirar anéis e pulseiras, não falar enquanto manipula alimentos e prender os cabelos, além de aprenderem a forma correta de se lavar as mãos. ''Também ensinamos as mulheres a planejar previamente o cardápio da semana antes de fazer as compras, verificando o que tem em casa e aproveitando promoções'', complementou.
Apesar de verificar que ainda há muito preconceito em relação à utilização de talos e cascas dos alimentos, a nutricionista percebeu que os cursos têm um resultado imediato. ''Muitas mulheres começam a testar as receitas já no dia seguinte à primeira aula'', atestou, lembrando que todas as receitas foram testadas e tiveram seu valor nutricional avaliados em laboratório.
A desempregada Ana Paula Santos Horácio, 24 anos, resolveu fazer o curso para multiplicadores não só para aprender mais sobre o assunto, mas também vislumbrando a possibilidade de os conhecimentos adquiridos ajudarem-na a encontrar um trabalho. ''Também quero continuar estudando sobre o assunto, e repassar tudo o que eu aprendi para as pessoas da minha igreja'', revelou. Ela confessou que, quando a nutricionista informou que faria uma receita de bolo com cobertura de casca de abacaxi, não acreditou que a idéia pudesse dar certo. ''Também a salada de abacaxi com atum e tomate, misturando sal com doce, achei que não ia ficar bom. Mas ficou tudo uma delícia'', elogiou.
Rosângela Maria da Silva, cozinheira do Hospital do Câncer de Londrina, também considerou saborosos os pratos ensinados durante o curso, e pretende implementar logo as novas receitas na instituição. ''Vou poder fazer alimentos mais baratos, com menos desperdício, e principalmente mais saudáveis e nutritivos, ajudando a melhorar a saúde dos pacientes'', avaliou. Questionada sobre o risco de as pessoas rejeitarem receitas com cascas e talos, ela foi enfática: ''só de olhar não dá para perceber que tem essas partes, e o sabor também é bom. Então não vai ter nenhum problema''.


