Dá para perder a paciência, só não pode é perder a esportiva. Isso vale para os ''cowboys urbanos'' - que têm que pegar o boi, muitas vezes, à unha - e para os moradores dos bairros onde os bichos andam soltos.
''Esses cavalos precisam ser levados ao dentista. Eles comem, comem, o mato das datas vazias e o matagal está do mesmo jeito, sinal que as dentaduras deles precisam ser trocadas''. Brincando com a situação, a presidente da Associação de Moradores do Jardim Tropical (Zona Norte), Rosimeyre Aparecida Lahoz, 48 anos, expõe o problema de animais soltos.
Numa manhã de trabalho acompanhada pela equipe da Folha, ali perto da casa da líder comunitária, os ''peões'' da empresa terceirizada WJ deram de cara com oito cavalos pastando num terreno baldio. Dois animais estavam em via público. Um deles caiu no laço e foi para o pasto da empresa, a 30 quilômetros do perímetro urbano. Outras cinco novilhas também foram apreendidas no Fundo de Vale do Córrego Quati.
Os bichos resistem o quanto podem. Não dá para saber o que é pior, os coices, chifradas e carreirões atrás dos peões, transformando a rua em arena de rodeio, ou a irritação dos donos que têm os animais apreendidos.
'' Existe muita resistência. O trabalho é difícil de fazer. No passado, aconteciam agressões por parte dos donos. Aqui, não deixo. Se estamos carregando e o dono chega, libero o animal para não haver discussão. A gente não sabe o que vem pela frente'', afirma o proprietário da WJ, Valdemir Neto Pires.
De olho espichado para o cavalo apreendido de um amigo, que acabou de embarcar no caminhão da empresa, o carroceiro Marcelino da Silva, 59 anos tratou de tirar o seu da chuva. ''Concordo com esse trabalho. Lugar de animal é na corda'', ensina o carroceiro. (F.L.)

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