Apontados como pontos estratégicos pela Secretaria Municipal de Saúde, os cemitérios vão ganhar uma atenção especial no combate ao mosquito Aedes aegypt, transmissor da dengue. Cerca de 40 funcionários da Administração de Cemitérios e Serviços Funerários de Londrina (Acesf), entre pedreiros e coveiros que trabalham em cemitérios das zonas rural e urbana, receberão orientações de profissionais da saúde para combater a proliferação do mosquito. Uma reunião com os funcionários está marcada para acontecer hoje, no Cemitério Jardim da Saudade (Zona Norte).
De acordo com o diretor de Saúde Ambiental, Maurício Barros, a idéia é que os coveiros disseminem informações sobre os cuidados contra a dengue para os visitantes. ''Vamos aproveitar esse período próximo ao feriado de Finados e alertar as pessoas que a mobilização contra o mosquito da dengue deve partir de todos e não apenas do órgão público'', disse.
Coveiro há 29 anos, Antônio Marcos, que trabalha atualmente no Cemitério Padre Anchieta, localizado no Jardim Higienópolis (Área Central), afirma que os visitantes têm colaborado com a limpeza do local. ''A gente percebe que hoje em dia muitas pessoas preferem flores artificais às flores naturais. Com isso elas não precisam colocar água nos vasos e o risco de dengue é menor'', disse.
Já o coveiro Celso Rodrigues Kenaip, que trabalha no Cemitério São Pedro, da Avenida JK (Centro), disse que muitas pessoas não gostam de serem abordadas enquanto levam flores para os túmulos de parentes ou amigos. ''Sentimos uma certa dificuldade de falar com algumas pessoas. Mesmo assim a gente sempre tenta orientar. Quando encontramos vasos com flores velhas ou água parada há muito tempo, vamos lá e retiramos'', enfatizou.
Ainda segundo Barros, a proposta é fazer reuniões também com pessoas de outros segmentos. Trabalhadores de borracharias, reciclagens, ferros-velhos e que fazem manutenção de piscinas serão convocados pela Secretaria. ''Hoje temos equipes de saúde que percorrem esses pontos estratégicos uma vez a cada 15 dias. Sabemos que o município tem cerca de 2,7 mil piscinas e são vários os ferros-velhos e borracharias. Precisamos contar com a colaboração da população porque a dengue deve ser evitada assim, com precaução. Quando há uma epidemia, é muito difícil conter a doença. O ideal é trabalharmos para que isso não ocorra'', ressaltou.
Até ontem, a cidade registrava 786 casos de dengue, sendo 733 autóctones e 53 importados. Para o diretor, apesar da situação estar controlada, o número é considerado alto. ''O ideal é que não houvesse nenhuma notificação. A partir do fim do mês de outubro começamos a entrar no período crítico, com mais chuvas. Com isso vamos realmente precisar que a população faça a sua parte no combate a dengue.''

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