Coveiro lamenta tantos jovens mortos
É difícil acostumar com a idéia. Porém, aos poucos, algumas pessoas conseguem até conviver diariamente com a morte.
''Não tenho medo de morrer não. É igual para todo mundo. A morte é normal'', afirmou, José Aparecido Paulino, 53 anos, coveiro há 20 anos no Cemitério Jardim da Saudade (Zona Norte).
Numa rotina de seis a sete sepultamentos por dia, Paulo da Rocha, 28 anos, é o mais novo coveiro do cemitério. Ele já tem um discurso pronto sobre a morte.
''O Dia de Finandos, é o dia mais esperado. É um dia especial para o coveiro. Sou evangélico. A gente tem uma educação religiosa, que quebra esses tabus todos de alma, morte, que é uma separação entre alma e corpo físico''.
Com apenas 18 dias de experiência na nova profissão, o rapaz já tem muita coisa a lamentar por conta do ofício.
''Sepultamento de jovens aqui é demais. Antes de ser coveiro, eu não tinha noção real de quantos jovens vem para cá. A gente sabe que é devido a esses assassinatos e problemas com drogas. Jovens que poderiam ter uma vida normal e a gente está sepultando. Antigamente, os jovens vinham visitar os velhos no cemitério. Hoje é o contrário. São os velhos que vêm ver os mortos'', comenta Rocha, diante da primeira sepultura que abriu, que por sinal era de um adolescente vítima da violência.





