A música e o jeito sertanejo agora são estilo de gente jovem. As baladas que sempre foram rejeitadas pelas classes sociais mais altas parecem ter agora conseguido adeptos no meio dos apreciadores do rock’n’roll. Hoje, os bares country estão cheios de adolescentes vestidos com calças apertadas, camisas, cintos, botas e chapéus. Cantando e dançando, é claro, ao som de Leandro e Leonardo, Chitãozinho e Xororó, e Zezé di Camargo e Luciano.
O Potato Saloon, no Estação Plaza Show, vive cheio nos finais de semana de jovens entre 18 e 28 anos. O lugar é embalado por som country e muitos habitués vão vestidos a caráter, de botas e chapéu.
Na Avenida Iguaçu, o recém-inaugurado Coiote também oferece ambiente bem típico do Velho Oeste: paredes revestidas de madeira, cabeças de animais empalhados e mesas rústicas garantem o clima. No subsolo, um karaokê oferece um farto menu de músicas sertanejas, é claro, além de outras músicas brasileiras e americanas.
As amigas Sheila Leite (19), Karen Balan (23), Raquel Francisco (20), Mila (20) e Débora Kosak (21) elegeram os bares country como programa noturno. As cinco vão ao Dixe’s Country Bar de quarta-feira a sábado - todos os dias em que a casa abre -, desde fevereiro do ano passado.
Sheila e Karen já gostavam da música. Os pais são do interior e, por isso, as duas foram acostumadas a ouvir o gênero desde a infância. ‘‘Agora só escuto música sertaneja. Tentei voltar para as danceterias, que antes frequentava, mas não consegui’’, diz Sheila.
Quando Raquel começou a ir com as amigas a bares country, não gostava de todas as músicas. Hoje, diz que não faz restrições - sejam brasileiras ou americanas. ‘‘Elas são calmas e falam de amor e amizade. Diferente do que existe hoje em dia, uma barulheira daquelas que você não sabe o que está ouvindo.’’
Débora tem uma história diferente. Não gostava de música sertaneja de jeito nenhum. Era fã do rock. Ela diz que não acreditou quando esteve a primeira vez num bar country, já que tudo era muito diferente do seu estilo. Depois do choque, acabou gostando da música e de um dos cantores do bar - ‘‘hoje apenas um amigo.’’ A mudança foi tão grande, ao ponto de Débora ter passado o Carnaval deste ano no Dixe’s. Diferente da irmã, Mila ouvia música sertaneja muito antes de conhecer qualquer um dos bares temáticos da cidade.
Como o quinteto de mulheres, o estudante Raphael Albini, de 18 anos, diz se identificar com o sertanejo. Quando sai de casa, já tem destino certo: o bar country. ‘‘Minha vida se resume na música sertaneja. Ela combina com meu coração.’’ Além da música, o estudante André Matthes, de 17 anos, gosta do ambiente country. ‘‘Todo mundo conversa, o pessoal é mais aberto.’’
O estudante Gui Romero Pancote, de 18 anos, destoa do cenário. Gui diz que ouve as músicas, mas não gosta delas. Prefere hardcore. O bar country definitivamente ‘‘não é a sua praia’’. Entra no espírito só para se divertir com os amigos e admite que vale a pena.Albari RosaSheila Leite, Karen Balan, Raquel Francisco, Mila e Débora Kosak: bar country como programa noturnoAnna Camanducaia

mockup