Pães, balas, torresminhos, bolachas, biscoitos e produtos de época, como panetone e chocolate, começam a ser comercializados ainda este ano pela Cooperativa de Trabalhadores Autônomos na Agricultura, Indústria e Comércio de Londrina (Cotrial). ‘‘Num prazo de dois anos, vamos criar 120 postos de trabalho’’, informa Manoel Moreira Alves, 47 anos, presidente da cooperativa.
‘‘Já compramos o forno, a câmara fria, a batedeira, a amassadeira, e até o mês de outubro queremos estar com todo esse maquinário funcionando e os operários trabalhando’’, comemora Manoel Moreira Alves.
Ontem pela manhã, a Cotrial apresentou à Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel) e a empresários o projeto ‘Fábrica-Escola’, e aproveitou para solicitar a inclusão da cooperativa no programa ‘Londrina mais emprego’, já lançado pela Prefeitura, e que concede incentivos às indústrias.
Segundo Manoel Moreira Alves, os recursos para a implantação do projeto da Fábrica-Escola foram liberados pelo Ministério da Ciência e Tecnologia. A Fábrica-Escola está orçada em R$ 118.000,00. Manoel Moreira Alves diz que até agora o Governo Federal já liberou R$ 85.000,00, recursos aplicados na compra de equipamentos e na ampliação da sede da cooperativa.
Ontem, diz o presidente da cooperativa, a Codel manifestou interesse em doar um terreno para a Cotrial construir a sua sede própria. ‘‘É que através da Oficina-Escola, vamos oferecer cursos no setor de alimentação a desempregados e aos cooperados’’, argumenta Moreira Alves.
A alfabetização de adultos, através do método Paulo Freire, é outro projeto que a Cotrial apresentou ontem. No ano passado, cinco integrantes da cooperativa fizeram curso na Universidade Estadual de Londrina (UEL) para se tornar monitores.
Altair Silva Toledo e Tânia Maria Souza Inácio agora são monitores. Eles contam que as aulas começam ainda neste semestre e vão se estender por dois anos. Cada turna terá entre 15 e 25 alunos.
‘‘A idéia é preparar essas pessoas para prestarem o teste de equivalência, que é para obter o certificado do primário. Assim, elas podem dar continuidade aos estudos, cursando o ensino regular ou mesmo fazendo os supletivos ginasial e colegial’’, explica Tânia Maria Souza Inácio.
‘‘Queremos formar a turma, oferecer cursos profissionalizantes e encaminhar esses trabalhadores para o mercado de trabalho’’, acrescenta Altair Silva Toledo.
A Cotrial foi fundada por um grupo de sindicalistas do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação de Londrina em maio do ano passado. Dois meses depois, a cooperativa já prestava os primeiros serviços. O presidente Manoel Moreira Alves conta que, em agosto do ano passado, 35 pessoas foram selecionadas, através da cooperativa, para quatro dias de trabalho no Rodeio Universitário, que se realizava no Parque de Exposições Ney Braga.
‘‘Cada operário recebeu, em média, R$ 80,00 por esse trabalho’’, diz Manoel Moreira Alves. ‘‘Em praticamente um ano de funcionamento, já estamos com mais de 41 mil horas de serviços prestadas’’, explica. Segundo ele, nesse período os serviços prestados foram executados por químicos, laboratoristas, engenheiros, motoristas e de serviços gerais.
Para manter o vínculo com a cooperativa, o candidato a associado precisa desembolsar um salário mínimo a título de cota-parte. ‘‘Esse pagamento é dividido em quatro vezes’’, ressalta o presidente da cooperativa, Manoel Moreira Alves.

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