Prestes a tentar uma vaga no curso mais concorrido da UEL, o de Medicina, a estudante Verônica Lopes, de 18 anos, é cotista para negros. Sem essa opção, ela acredita que seria muito mais difícil de realizar seu sonho. ''O negro até hoje sofre os reflexos da escravidão e da marginalização com dificuldade no acesso à educação e principalmente a bons empregos. Acredito que as cotas sejam uma forma de amenizar essa história'', defendeu ela, que já vislumbra a chance de poder retribuir à sociedade no futuro trabalhando para o Sistema Único de Saúde (SUS).
Ingressar na universidade também é o sonho de Viviane Paulino da Silveira, 27, que, devido ao fato de ter de trabalhar desde cedo, somente agora pôde retomar os estudos. ''A situação do negro hoje é mais fácil que anos atrás. Ainda assim, temos muitos mais obstáculos. Minha família sempre foi muito humilde e não teve acesso à educação. Meus pais trabalhavam na roça, para ter uma ideia'', conta a jovem, que trabalha como auxiliar de produção e vai tentar uma vaga no curso de Música.
Se as duas já fazem planos para a entrada na faculdade, Wilson da Silva, 22, começa a pensar em sua saída. O jovem cursa o terceiro ano de Administração e entrou pelo sistema de cotas para negros em 2009. ''Acredito que a ampliação das vagas vai dar ainda mais chances de pessoas como eu entrar numa universidade. Existe todo um prejuízo histórico que precisa ser sanado. Sou o primeiro da minha família a fazer um curso superior'', diz ele, cujos pais trabalharam como encanador e doméstica.
Do outro lado há quem defenda que as cotas para negros não são justas. ''Acredito que todos têm capacidade para ingressar na universidade, independentemente da cor. Se tiver força de vontade, não vai precisar de cotas'', diz Rubia Gregório Toffolo, de 17 anos, que, entretanto, vai tentar uma vaga para Secretariado Executivo como cotista de escola pública. ''Por mim eu concorreria como os outros, mas meus pais insistiram.''(M.T.)

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