Nove anos depois de se envolver numa polêmica com o governo do Estado, devido a construção do Fórum de Curitiba, a Construtora Coteli volta a ter problemas com obras públicas. Há duas semanas, a empresa abondonou as obras da Penitenciária Central do Estado, em Piraquara, Região Metropolitana de Curitiba.
A Coteli ergueu a estrutura de concreto do prédio do Fórum, no Centro Cívico, e foi acusada pelo governo em 1991 de falhas na construção de 12 andares. A denúncia não impediu que, seis anos depois, a Secretaria de Obras do Estado declarasse a Coteli como vencedora da licitação para a construção do presídio.
Para o abandono das obras, o secretário de Obras do Estado, Augusto Canto Neto, justificou que a construtora teve ‘‘problemas no fluxo de caixa’’. Eles teriam sido causados por obras não pagas em Florianópolis (SC), segundo o secretário. A penitenciária deveria ficar pronta em junho, mas com a desistência da Coteli, a conclusão só deve ocorrer em janeiro do próximo ano. Nova licitação será aberta em julho.
O governo pagou a Coteli R$ 5,1 milhões pelos 71% das obras da penitenciária já concluídas. Outros R$ 4,1 milhões terão que ser injetados se o governo quiser ver a penitenciária pronta. De acordo com o projeto licitado em 1996, as obras deveriam ficar em R$ 7,5 milhões. Canto Neto disse que não havia um impedimento legal que pudesse afastar a empresa da disputa. A Coteli ofereceu um desconto de 35% para vencer a licitação. Ele respondeu que a questão do Fórum está sub judice e não poderia ser levada em conta pela comissão de licitação. ‘‘A Coteli não é culpada, nem inocente neste caso’’, esquivou-se.
O diretor-comercial da empreiteira, Rodrigo Tanus, disse que a rescisão contratual foi ‘‘amigável e bilateral’’. Tanus não deu detalhes sobre o que provocou a saída da empresa do projeto da penitenciária. ‘‘Os problemas internos de hoje têm uma origem lá atrás’’, alegou, referindo-se a suposta má execução do esqueleto de concreto do Fórum. A licitação do prédio foi feita em etapas. Coube a Coteli erguer a estrutura de concreto a partir de 1987. Em valores atuais, o Fórum já custou aos cofres públicos cerca de R$ 14 milhões.
Questionado se os eventuais erros na construção da estrutura não impediriam que a Coteli voltasse a disputar uma obra de grande porte, como a da penitenciária, Tanus respondeu que não. O diretor apresentou laudos técnicos (leia texto nesta página) que atestam que a segurança do edifício não está comprometida. ‘‘O Fórum jamais serviu como argumento técnico ou moral que nos impedisse de participar de outras licitações públicas.’’ O prédio do Canal da Música, por exemplo, foi uma das obras entregues dentro do cronograma pela Coteli em 1997.
Em 1991, a Coteli pediu no Tribunal de Justiça o pagamento da última parcela das obras do Fórum. Os valores atualizados só serão calculados caso a Justiça conceda decisão favorável à empreiteira. Tanus ainda quer do Estado uma indenização por danos morais. ‘‘Falaram na época que o prédio iria cair. Quem é que iria comprar um apartamento da nossa construtora naquela época? Fomos julgados pelo tribunal da imprensa.’’

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