Uma parcela de estudantes ainda comemora a recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que confirmou a constitucionalidade das cotas raciais, sistema que prevê uma porcentagem de vagas em universidades a alunos que se declaram negros e pardos. Mas o fim do debate jurídico não foi suficiente para encerrar a polêmica que envolve o tema. Enquanto alguns acadêmicos se dividem entre opiniões favoráveis e contrárias à medida, alguns cotistas enfrentam desafios para concluir o tão almejado curso superior.
O professor Marcos Silva da Silveira, do Departamento de Antropologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e um dos coordenadores do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (Neab) vinculado a pró-reitoria de graduação, relata que após uma Conferência na África do Sul em 2001, o governo brasileiro assumiu publicamente que existe racismo e discriminação racial no país.
''A partir disso, o que era uma reinvindicação antiga do movimento negro passou a ser esforçada através de ações reparatórias. E um dos campos seria o da educação'', comenta Silveira, ao explicar que houve um entendimento sobre a necessidade de fazer ''com que a universidade pública, seja estadual ou federal, se abra para este movimento'', completa.
A ação foi julgada em 26 de abril deste ano pelo STF, que decidiu por unanimidade que não é inconstitucional as universidades estabeleceram tais cotas. ''O assunto acabou envolvendo o STF porque houve uma série de questionamentos sobre o acesso diferenciado nas universidades, partindo do fundamento que a medida fere os princípios constitucionais da igualdade universal'', declara.
De acordo com Silveira, a decisão do STF é um entendimento de ação reparatória e defende que é uma atitude de inclusão social. ''Você tem que ter uma política diferenciada para resolver uma situação de desigualdade. Acho justo e necessário. É um ponto de partida'', afirma.

Leia mais na reportagem de Marcos Roman e Micaela Orikasa.

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